O número de oito pacientes na fila à espera de um coração novo pode parecer pouco, principalmente se comparado aos candidatos a receber um rim, por exemplo, que somam dezenas só em Londrina. ‘‘No caso do rim, o paciente tem a máquina que o deixa vivo. Já o coração não tem jeito: ele tem de seis meses a um ano de vida. Se não fizer o transplante, morre’’, assegura Gregori. ‘‘Em quatro anos, perdemos mais de 20 pacientes.’’
O principal obstáculo para o transplante, diz o médico, tem sido a própria família, que na maioria das vezes não concorda em doar o órgão do parente. Ele conta que em casos de acidente de moto, por exemplo, acontece da pessoa ter traumatismo craniano, vir a ter morte cerebral, mas o coração não é afetado. A nova lei de transplantes, segundo Gregori, tem colaborado bastante no sentido de ter aberto um canal de diálogo. ‘‘Agora a família vem conversar com o médico e, neste caso, há a possibilidade de doação.’’
Passado o primeiro obstáculo, o tempo que sobra para que o órgão seja aproveitado é curto. Entre 24 e 48 horas, os testes de compatibilidade têm que ser feitos, para a escolha do receptor. Tudo enquanto houver pressão arterial e contração do coração: depois disso começa a deterioração do doador e não adianta mais tentar o transplante.
Às vezes a demora da família decidir é fatal para o aproveitamento do órgão. ‘‘Constatada a morte cerebral, tudo tem que ser agilizado, com a equipe médica cuidando intensivamente do doador. Já perdemos dois doadores no caminho entre a CTI e o centro cirúrgico’’, diz o médico.
O programa de transplantes no Hospital Evangélico começou há quatro anos, quando foi feito o primeiro transplante. O paciente, no entanto, não passou bem no pós-operatório e acabou morrendo. De lá para cá, as outras cinco operações foram bem sucedidas, somando 83% de bons resultados. Um dos pacientes, inclusive, uma mulher, foi mãe com coração novo. ‘‘Isso nos impulsiona a realizar mais transplantes.’’

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