Paulo Pegoraro
De Cascavel
Três anos após ser arrasada por ventos de 120 km/h, zona urbana do município está renovada; Câmara investiga supostos favorecimentos de dinheiro e material
A cidade de Nova Laranjeiras (120 quilômetros a oeste de Cascavel) parece ter sido recém-edificada. Raros são os telhados cobertos pelo musgo, a maior parte das construções é em alvenaria e aparenta tinta fresca, assim como a sinalização de trânsito e todo o conjunto urbanístico. Há pouco menos de três anos, um furacão havia deixado Nova Laranjeiras semidestruída, desabrigando a maior parte dos 2,5 mil moradores da zona urbana – no total são 17 mil – e matando três pessoas.
Quem trafega pela BR-277 (que atravessa a cidade) pela primeira vez depois da devastação ocorrida no dia 13 de junho de 1997, não deixa de observar o novo cenário. O furacão, com ventos de 120 quilômetros por hora, destruiu inteiramente 127 edificações residenciais e 381 parcialmente, o mesmo ocorrendo, respectivamente, com 15 e 31 dos estabelecimentos comerciais e industriais, e redes de energia e telefone. A ocorrência foi classificada como uma catástrofe.
Embora o município tivesse sido instalado em 93, a cidade é antiga, por isso parte considerável das edificações estava desgastada pelo tempo, dando-lhe um visual nada atrativo. A reconstrução da maior parte do que foi destruído só foi completada recentemente. Em alguns pontos, ainda há escombros, como o do único moinho que havia. Até hoje, a prefeitura não tem levantamento oficial do dinheiro e materiais que foram empregados na reconstrução, porque eles foram providenciados pela esfera pública e por campanhas regionais de doação.
Os estragos do furacão, que durou menos de três minutos, se refletem até hoje no plano político. A Câmara Municipal vinha exigindo da prefeitura relatório completo (que começou a ser analisado esta semana) sobre o volume de dinheiro e materiais. Segundo o prefeito José Lineu Gomes (PTB), na época, os prejuízos gerais foram estimados em R$ 6,52 milhões – a arrecadação mensal do Município é de aproximadamente R$ 250 mil, segundo o secretário de Administração, Sandro Veronese.
O vereador Antonio Cruz (PT) reconhece que ‘‘visualmente, a cidade está renovada’’, mas aponta a existência de ‘‘sérias dúvidas’’ quanto aos critérios de distribuição dos recursos. Ele cita um exemplo: o dono de uma casa de madeira que foi descoberta recebeu 70 mil tijolos, 60 sacas de cal e 51 de cimento, entre outros materiais. ‘‘Outros nada receberam. A cooperativa Coagri teve prejuízos de R$ 400 mil e nenhuma ajuda, talvez porque seja ligada ao MST’’, disse o vereador.
Para moradores de Nova Laranjeiras, também estão presentes ainda os ‘‘estragos’’ emocionais. Dona Nadir Schafranski, 57 anos, dona do principal restaurante, demonstra pânico no olhar só de rememorar os momentos que viveu naquele dia 13 (uma sexta-feira...). ‘‘Quem esquece? Eu estava no balcão quando começou a estourar portas e vidros do restaurante. Escondemo-nos embaixo de uma mesa na cozinha. Pensei que quando abrisse os olhos nada mais existiria. Mas a cidade está mesmo muito melhor’’, diz Nadir.

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