Nova fase de vacinação contra a gripe leva idosos às UBS
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quinta-feira, 25 de abril de 2019
Simoni Saris - Grupo Folha 

Na UBS (Unidade Básica de Saúde) Clair Pavan, no centro de Londrina, a fila para vacinação não é grande, mas a todo instante chegam pessoas para ser imunizadas. A maioria são idosos, incluídos no grupo prioritário da segunda fase da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, que começou na segunda-feira (22) e segue até 31 de maio. Além das pessoas a partir dos 60 anos de idade, a segunda etapa contempla ainda trabalhadores da área da saúde, pessoas com comorbidades e doenças crônicas, professores das redes de ensino pública e privada, jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas, profissionais do sistema carcerário, detentos e, neste ano, a campanha foi estendida também para integrantes das forças de segurança e salvamento.
“Eu achava que iria enfrentar fila, mas infelizmente não tem muita gente. O pessoal deveria estar aqui na fila hoje porque essa vacina funciona mesmo. Nunca peguei gripe, minha imunidade é muito boa, mas agora fiquei velho e tenho que me cuidar mais e tomar a vacina”, disse o aposentado Akiyuki Otomo, que foi ao posto de saúde logo no início da manhã desta quarta-feira (24).
O aposentado Clementino Bazan também prefere tomar a vacina nos primeiros dias da campanha para evitar as filas que se formam no final do período de imunização. “É meu costume. Sou da dianteira para fazer as coisas, nunca fico na rabeira. Sempre que a vacina está disponível, eu compareço. Não tem nada mais certo para fazer. Faz mais de 20 anos que eu tomo essa vacina, é muito boa”, atesta.
Para o porteiro José Honório da Silva, além de evitar atropelos, comparecer ao posto de saúde o quanto antes é a melhor maneira de garantir a prevenção no tempo certo. “A vacina tem um tempo para fazer efeito, então a gente tem que vir com antecedência, antes do inverno chegar. E agora está tranquilo, sem filas, é rápido e não dói nada”, ensina.
A campanha de imunização foi antecipada em 2019 em razão de um surto de gripe registrado no Amazonas, onde 113 pessoas contraíram a doença e 31 delas morreram. Naquele estado, a vacinação começou em 20 de março. Em todo o Brasil, foram identificados neste ano 232 casos de influenza em pacientes que desenvolveram Síndrome Respiratória Aguda Grave e tiveram de ser hospitalizados. Das 50 mortes contabilizadas no País, cinco foram no Paraná.
Meta
O Ministério da Saúde liberou 63,7 milhões de doses da vacina para a campanha deste ano e a expectativa é imunizar 58,6 milhões de pessoas em todo o Brasil. No Paraná, a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) disponibilizou quase 3,3 milhões de doses. Em Londrina, a meta é atingir 168 mil pessoas até o final de maio. Em 2018, a imunização de gestantes e de crianças ficou abaixo do esperado no município, com taxas de vacinação de 79% e 77%, respectivamente. A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é de vacinar 90% do público prioritário. As doses estão disponíveis em todas as UBS, tanto na zona urbana quanto na zona rural.
Na primeira etapa, realizada entre os dias 10 e 19 de abril, foram priorizadas as crianças de um a seis anos incompletos, gestantes, indígenas e puérperas – mulheres até 45 dias após o parto. Público considerado mais vulnerável.
Avaliação
A Secretaria Municipal de Saúde não dispõe de um balanço do número de imunizações realizadas na primeira fase da campanha nem nos primeiros dias da segunda etapa. Segundo a diretora de Vigilância em Saúde do município, Sônia Fernandes, desde a última sexta-feira (19) os profissionais da secretaria estão sem acesso ao sistema do PNI (Programa Nacional de Imunização). “O sistema não está funcionando e as UBS não conseguem digitar as informações”, explicou.
O secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, disse que o público-alvo da primeira fase da campanha é de 46 mil pessoas, mas que os índices de imunização ficaram muito abaixo do esperado. “Embora esse grupo seja o mais suscetível à contaminação, fizemos pouco mais de seis mil doses nos primeiros dias”, informou ele. “Agora aumenta a busca por atendimento médico para casos respiratórios e é importante ressaltar a efetividade da vacina, que protege contra o vírus influenza”, destacou o secretário.
Fernandes destacou que no ano passado, a meta geral não foi atingida em razão da baixa cobertura nas crianças, gestantes e puérperas, justamente o grupo incluído na primeira fase da campanha de imunização. “O problema não é este grupo que começou na segunda-feira. Eles respondem bem à vacinação. No ano passado, vacinamos 103% dos idosos e 105% dos professores”, destacou a diretora. Esses percentuais indicam que a imunização de idosos excedeu a meta em 3% e a de professores, em 5%.
Todas as pessoas enquadradas nos grupos prioritários devem ser vacinadas. A contraindicação é apenas para quem tem alergia severa a ovo. Os pacientes com doenças crônicas como hipertensão, asma, diabetes, Síndrome de Down e insuficiência cardíaca que não forem cadastrados nas unidades básicas de saúde devem apresentar solicitação médica para a vacina, identificando a patologia. Os pacientes cadastrados podem ser vacinados sem prescrição.
Dia D
No próximo dia 4 de maio, um sábado, acontece o “Dia D” da mobilização para a vacinação dos grupos prioritários, quando as unidades básicas de saúde irão funcionar para ampliar o acesso aos usuários que têm dificuldade de ir até o posto de saúde durante a semana. “Toda a estrutura vai estar à disposição da população e não há desculpa para não se vacinar”, disse Machado.


