Curitiba - Dois delegados, oito investigadores e um escrivão começaram a trabalhar ontem na Delegacia do Alto Maracanã. A unidade, que fica em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), foi esvaziada após ter toda sua estrutura de policiais presa em uma operação do Ministério Público (MP) estadual. Os integrantes da nova equipe formaram-se recentemente na Escola de Polícia Civil.
Entre os policiais presos, na terça-feira, acusados de concussão (extorsão cometida por servidor público), corrupção passiva e formação de quadrilha, estão a delegada Márcia Marcondes, e o superintendente José Braga. Um dos foragidos apresentou-se ontem no MP e seria ouvido no final da tarde. Outros três continuam desaparecidos. A delegada Márcia e uma escrivã estão detidas no Centro de Triagem 1, no Centro de Curitiba. Todos os outros envolvidos estão no Centro de Triagem 2, em Piraquara (RMC).
Além dos dez policiais, foram presos outros funcionários da delegacia, e um servidor da Prefeitura de Colombo. O município explicou, ontem, por meio nota oficial, que o funcionário deve sofrer um processo administrativo. O rapaz estava cedido ao fórum local.
De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, desde terça-feira, dia das prisões, uma equipe provisória permaneceu na Delegacia do Alto Maracanã para atender a população.
A quadrilha, segundo o MP e a Sesp, extorquia criminosos sob a condição de livrá-los de investigações ou, após as prisões, soltá-los sob acusações mais leves do que os flagrantes mostravam. Na maioria das vezes, o grupo agia para tirar dinheiro de traficantes e familiares. As extorsões, segundo MP, giravam em torno de R$ 2 mil e R$ 50 mil.
A prática foi descoberta em setembro do ano passado, quando o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao MP, começou a investigar as suspeitas ao lado da Secretaria da Segurança Pública.
"Foi uma operação de combate à corrupção, conduzida pelo Gaeco. Toda a estrutura da delegacia (do Alto Maracanã) estava envolvida", afirmou o secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari.

Defesa

O advogado de defesa da delegada, Beno Brandão, teve acesso, por enquanto, apenas aos pedidos de prisão temporária e de busca e apreensão, o que impossibilitou, de acordo com ele, uma posição geral sobre as acusações.
Entretanto, com base no que teve conhecimento, ele acredita que não há elementos concretos que provem que a delegada cometeu um crime.
"A minha cliente tem certeza que não há provas contra elas porque ela não cometeu crime algum", afirmou Brandão. O advogado informou que os pedidos de prisão foram feitos apenas com base em presunções de um tenente e um sargento lotados no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
A defesa do superintendente está ainda estudando o processo e preferiu não se manifestar no momento até conhecer todo conteúdo da investigação.

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