Uma nova metodologia aplicada pela Secretaria Municipal de Saúde de Londrina para contagem da população de crianças de 0 a 4 anos de idade garantiu que a cidade ultrapassasse a meta mínima de 95% de cobertura vacinal contra a paralisia infantil preconizada pelo Ministério da Saúde. Levando em conta o registro real de nascidos vivos mais a taxa de crescimento vegetativo, o Município teria conseguido vacinar 98% do total de crianças, índice que não era atingido há anos.
Anteontem, a assessoria da Prefeitura havia divulgado números indicando que a campanha de vacinação contra a poliomielite este ano havia atingido apenas 85,7% das crianças, ficando quase 10% abaixo do exigido pelo Governo Federal. As metas são necessárias para criar uma proteção eficiente entre a população desta faixa etária, porque o vírus que causa a doença continua em circulação pelo mundo.
Quarta-feira foi o último dia de vacinação em massa em Londrina. As crianças menores de cinco anos que ainda não foram imunizadas podem ser levadas a qualquer posto de saúde, com a carteira de vacinação em mãos, para receberem a dose em atraso. Em Londrina não há registro de casos de paralisia infantil desde 1989.
A secretária municipal de Saúde, Marlene Zucoli, esclareceu que ''a baixa cobertura vacinal já incomodava há algum tempo''. Por isso, a Secretaria decidiu usar o banco de dados do Sistema de Informação de Nascidos Vivos (Sinasc) nos últimos cinco anos. Depois, aplicou a taxa média de crescimento demográfico anual de 1,5% do município indicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). ''Chegamos a um dado local, mais próximo do número real, do que a estimativa do IBGE'', comentou a secretária.
Considerando os nascidos vivos entre 2002 e 2007, Londrina teria hoje 34.264 crianças menores de cinco anos. Acrescentando a taxa do IBGE, a população-alvo da campanha de vacinação chegaria a 34.778 crianças. Pela metodologia anterior estabelecida pelo Ministério da Saúde (uso dos dados do Sinasc para menores de um ano e estimativa do IBGE para as de um a cinco anos), a população a ser vacinada seria de 39.480.
Pela nova metodologia, a Secretaria acredita que conseguiu vacinar 98,6% de todas as crianças de 0 a 4 anos residentes em Londrina. ''Dessa forma atingimos a cobertura, até porque não temos onde mais procurar bebês'', observou. Mas a secretária alertou: ''para controle da doença estamos tranquilos, mas temos que continuar nossos estudos''. Ela destacou que essa nova forma de contar as crianças também tem que ser validada pelo Ministério da Saúde.
O coordenador de sub-área do IBGE em Londrina, Alfeu Celso Campiolo, argumentou que os sensos populacionais são feitos de 10 em 10 anos e que, por isso, é preciso considerar as margens de erro das projeções feitas neste intervalo. ''Em relação ao número de crianças, o que está acontecendo é uma tendência de queda no número de filhos por família'', acrescentou Campiolo.

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