O susto foi grande ao ser abordado na Avenida Winston Churchill, que liga a zona norte à região central de Londrina, por um carro da Fiscalização do Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU). Atônito, o rapaz não quis dar entrevista e não permitiu que seu nome fosse divulgado. Ele disse apenas que estava a caminho do local de trabalho. Seu erro foi pegar carona na lateral de um ônibus quando subia a avenida de bicicleta.
A intenção provavelmente era a mesma de muitos adolescentes e mesmo crianças que frequentemente se arriscam nesta prática: economizar esforço físico em ladeiras. O problema é que este tipo de ‘‘carona’’ coloca em risco a vida do praticante, além de danificar os ônibus, segundo o gerente de trânsito da CMTU Júlio Lopes. ‘‘As empresas (de ônibus) reclamam que eles (os caronistas) riscam a lataria dos veículos e quebram pára-choques’’, afirma.
Só no mês de junho foram três acidentes envolvendo caronistas de rabeira de ônibus. ‘‘Foram acidentes leves, nenhum fatal’’, afirma Júlio Lopes. Para evitar que casos graves ocorram, a CMTU está realizando blitz nos pontos onde esta prática é mais comum. Ontem 10 agentes de trânsito estiveram na Avenida Winston Churchill. Na quarta-feira da semana passada a operação foi realizada na Avenida Guilherme de Almeida, zona sul, quando foram apreendidas 19 bicicletas.
As blitz continuarão a acontecer, segundo Júlio Lopes, até que crianças e adolescentes parem de se arriscar pegando carona nos ônibus. As bicicletas só são devolvidas mediante o pagamento de multa de R$ 34,00. ‘‘Se for menor terá que comparecer à CMTU acompanhado de um responsável’’, avisa.
A CMTU, de acordo com Júlio Lopes, não idealizou nenhuma campanha com cunho educativo. A empresa Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL), segundo o gerente de tráfego Jaime Eufrásio da Silva, irá colocar cartazes em 10 ônibus das linhas onde esta prática é mais comum, com o objetivo de alertar crianças e adolescentes.
‘‘Muitos pegam carona em rabeira de ônibus por esporte e não por causa de ladeiras’’, afirma Jaime da Silva. ‘‘A empresa também tem tentado sensibilizar pais e até conversado com associações de bairro’’. Outro problema apontado pelo gerente de tráfego da TCGL é que em casos de acidentes graves os motoristas acabam sendo responsabilizados pelos familiares da vítima. ‘‘A empresa entende que o motorista não é responsável, mas os familiares não’’. A CMTU fez apenas uma apreensão de bicicleta na blitz de ontem.

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