A operação realizada pela Polícia Federal entre a tarde de anteontem e a madrugada de ontem na Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai, autuou 133 estrangeiros que vivem ilegalmente no País. Desse total, dez foram deportados. O restante pagará multa que varia de R$ 7,40 a R$ 746,00 (de 7,77 Ufirs a 777 Ufirs), dependendo da infração.
A blitz na ponte, por onde passam diariamente milhares de pessoas, principalmente para fazer compras em Ciudad del Este, foi iniciada às 17 horas de anteontem e durou três horas. A passagem de pedestres pela aduana no lado brasileiro da ponte foi bloqueada, provocando um grande congestionamento humano.
Quarenta agentes da PF participaram da operação, na qual foram detidos 150 estrangeiros, a maioria árabes, chineses e coreanos. Dezessete estavam em situação regular e foram liberados. Foram necessários três ônibus para levar essas pessoas até a delegacia do órgão, no centro de Foz do Iguaçu. A identificação e autuação dos detidos só terminou na madrugada de ontem.
Segundo o delegado chefe do Núcleo de Polícia Marítima, Aérea e de Fronteira da PF, Cleber Alves, a maioria dos detidos mora ilegalmente em Foz do Iguaçu e trabalha como empregado ou tem negócios no Paraguai. A maior parte deles tem visto de permanência no país vizinho. Essa documentação não é aceita no Brasil porque o País não possui acordo de dispensa de visto consular com os países de origem desses estrangeiros, como Líbano e China.
Os dez deportados, que possuem documentação paraguaia, foram enviados ainda na madrugada de ontem para Ciudad del Este. A deportação ocorreu porque eles já haviam sido autuados anteriormente e não deixaram o País. Os demais autuados na operação terão entre três dias (se entraram ilegalmente no Brasil) e oito dias (se ingressaram legalmente, mas ultrapassaram o período de permanência permitido) para sair do País.
A blitz de anteontem à noite foi a segunda realizada na fronteira em dez dias. No último dia 6, 92 estrangeiros foram detidos pela PF na Ponte da Amizade. Desses, seis foram deportados. Segundo o delegado, a operação será repetida todas as semanas, até fevereiro.
A medida faz parte da estratégia desencadeada pelos governos de Brasil, Paraguai e Argentina, com o objetivo de combater o contrabando, o tráfico de drogas e de armas e atividades terroristas na fronteira entre os três países. A operação foi acertada no último dia 17 de dezembro, durante uma reunião, realizada em Foz do Iguaçu, entre o ministro da Justiça brasileiro, Íris Rezende, e os ministros do Interior da Argentina, Carlos Corach, e do Paraguai, Miguel Angel Ramírez.
Segundo estimativas da própria Polícia Federal, as atividades ilegais na Tríplice Fronteira - principalmente o tráfico de drogas e armas, o contrabando e a lavagem de dinheiro - faturam cerca de US$ 30 milhões a cada dia últil. Por ano, esse movimento chegaria a US$ 8,5 bilhões. O valor é superior às exportações brasileiras para os demais países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) em 96, que somaram US$ 7,8 bilhões.

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