Notas estimulam uso de macetes
Edson MazzetoOlhar para a prova do colega não deveria ser proibido, na opinião de um educador inglêsO presidente da Comissão de Vestibulares da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Tarcísio Vanderlinde, considera estimulante a experiência da não reprovação integral na Escola Estadual Eleodoro Ébano Pereira. Para ele, a questão das provas, inclusive para acesso às universidades, precisa ser repensada, considerando critérios mais consistentes e qualidade, que deveriam vigorar já nas fases anteriores do ensino escolar. Tarcísio cita o educador inglês Gordon Wells, que defende a simples extinção de provas, ou que estudantes não fossem proibidos de colar de colegas.
Segundo ele, o educador inglês considera que se gasta muita energia na escola para se fazer provas. Deveria haver mais dedicação ao objetivo principal, que é proporcionar condições para uma educação consistente. Para Vanderlinde, a escola deverá ser obrigatoriamente repensada e reestruturada, e de imediato.
Isto terá que ocorrer por imposição da própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação, aprovada no Congresso Nacional.
O professor acredita que a discussão pode levar à conclusão que a prova, nos moldes tradicionais, pode ter se transformado no principal estímulo à utilização de instrumentos ilícitos para a superação de obstáculos. Entre eles, fraudes como a cola. Outro resultado negativo seria a formação de uma desagradável cultura de macetes.
Para ele, é preciso estudar a adoção de novos procedimentos de avaliação. Vanderlinde conta que em seu tempo de estudante observava professores déspotas, que castigavam pela nota. Naquele tempo, ele imaginava que os professores também deveriam ter boletins com notas dadas pelos alunos.
Um exemplo de renovação citado por ele vem de uma das mais conceituadas universidades do País, a Unicamp de Campinas (SP). Esta universidade praticamente aboliu os testes de múltipla escolha no vestibular. Ela optou por uma avaliação do poder de reflexão dos alunos.
Outra universidade importante, a de Santa Maria (RS), promoverá no próximo ano, a título experimental, o ingresso diferenciado de alunos de 2º Grau, dispensando parcialmente o vestibular. Isto será possível para estudantes de escolas que mantêm convênios com a universidade, o que permite monitorar o processo de ensino e realizar avaliações.
No Congresso Nacional, já está em tramitação o projeto de lei relatado pelo paranaense Maurício Requião (PMDB), que estabelece a dispensa de concurso vestibular para 50% das candidatos a universidades federais.





