Se você possui uma nota de 100 reais ou uma moeda de 1 centavo na carteira, considere-se membro de um clube restrito. A maioria das pessoas nem se lembra da última vez em que pôs os olhos na menor ou na mais graúda representante do nosso dinheiro. O Banco Central (BC) garante que não é por falta de fabricação que elas andam sumidas. Então, por onde andarão?
''Nota de R$ 100? É ruim, hein. Acho que nunca vi, nem sei que bicho tem nela. Se conseguisse uma, abria uma poupança'', responde a bem-humorada vendedora Jandira da Silva Ramos, 48 anos, antes de revelar que nem carteira tem. A última foi furtada num ponto de ônibus da Rua Sergipe, no Centro de Londrina. Por sorte, tinha só R$ 65,00. ''Depois disso não ando mais com carteira, mesmo porque não tenho muito dinheiro para carregar'', conforma-se.
Faz 12 anos que o vendedor de alho Diocre Arlindo Feitosa, 60 anos, não vê a garoupa - peixe comum no litoral brasileiro - que estampa as notas de R$ 100. Ele tem motivo forte para lembrar da última vez. Foi justamente no ano em que nasceu o Real, em 1994. ''Depois, nunca mais encontrei. A gente só anda com mixaria'', diz.
De tão rara, a cédula azul é um fetiche. Parece, aliás, uma daquelas coisas que existem somente para esnobar os pobres mortais. Como caviar: a maioria das pessoas ignora que gosto têm as tais ovas de esturjão, mas gostaria de experimentar só porque ''é coisa de rico''.
''Quando pego uma nota dessas, tenho até vontade de guardar. Mas não dá. Dinheiro tem que passar pra frente'', comenta a vendedora Josiana Silveira de Castro, 25 anos, que acredita que os bancos deveriam liberar mais cédulas de R$ 100,00 ''porque daria menos volume na carteira''.
Igualmente incomuns, as moedinhas de um centavo não fazem o mesmo sucesso. ''Normalmente eu jogo fora. Elas não compram nada, nem uma bala!'', justifica Josiana, demonstrando o desinteresse de muitos brasileiros em guardar moedas que, juntas, ganham poder aquisitivo. Para quem não é fã dos cofrinhos, melhor é fazer como o office-boy Cristiano Casagrande, 23 anos. ''Quando pego essas moedas, troco rapidinho lá no meu serviço.''
Segundo o gerente técnico do Banco Central no Paraná, Hélio Miguel Silveira, estão em circulação no País, atualmente, 3,2 bilhões de moedas de R$ 0,01 e 23 milhões de notas de R$ 100,00. Ele afirma que a suposta ''falta'' das notas graúdas no mercado está relacionada à baixa solicitação dos bancos. ''Cédulas novas existem e o BC disponibiliza conforme a demanda. É a própria rede bancária que pede muito pouco'', explica. Quanto às moedas, Silveira lembra que são de aço e, portanto, dificilmente estragam. ''Essas que estão circulando são todas boas. Em algum lugar elas estão guardadas'', pondera.

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