Pesquisa apresentada no Seminário Internacional sobre as Mulheres nas Profissões Jurídicas, realizado semana passada em Buenos Aires, Argentina, revelou que os homens continuam sendo maioria no sistema de justiça da América Latina, especialmente em cargos de maior responsabilidade.

De acordo com o ''Diagnóstico da situação das mulheres dentro do sistema de administração de justiça. Noções jurídicas e percepções culturais em seis países latino-americanos: Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador e Peru'', em todos os países estudados, os homens são maioria entre juízes e promotores.

Outra constatação do estudo mostra que o principal destino das mulheres é a área do Direito de Família, considerado socialmente como o mais ligado ao mundo feminino e o de menor prestígio profissional.

Pela pesquisa, verificou-se também que há uma percepção, em especial por parte das mulheres, de que os homens chegam com mais facilidade aos cargos, por causa do machismo que prevalece na cultura judicial. No Chile, 46% das mulheres consideraram que o machismo ajuda a ascensão dos homens, com o que concordam apenas 24% dos homens entrevistados. No Equador, 28% das mulheres responderam que o machismo é o motor de chegada dos homens, com a concordância de apenas 9% dos homens.

O estudo sugere ainda que os estereótipos influenciam igualmente a percepção de homens e mulheres em relação ao progresso na carreira. Para os homens, o que lhes permite mais fácil acesso relaciona-se à sua formação e experiência. Elas, por sua vez, atribuem o êxito masculino aos seus contatos políticos e ao fato de eles serem mais equânimes. Para os homens, as mulheres conseguem os cargos por serem mais metódicas, por seu compromisso, constância e capacidade de empatia e negociação. No Equador e Peru, uma elevada porcentagem de homens e mulheres afirmou também que elas são mais honestas.

Quando consultados sobre as razões desse acesso desigual, os homens explicam que elas ''não estão interessadas'' ou ''não se capacitam'' para melhores postos. Já as mulheres dizem que ''são os mecanismos'' judiciais que as discriminam, além de razões sócio-familiares.

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