A história conta que três pastores presenciaram a aparição de Nossa Senhora, na região de Fátima, em Portugal, no início do século passado. Vestida de branco, ela pediu às crianças que orassem todos os dias pela paz no mundo, conversão dos pecadores e fim da guerra. Hoje, numa cidade marcada pela violência, uma comunidade católica batizada em homenagem à Mãe de Jesus transforma-se num exemplo de união e devoção à Santa que zela pela paz.
São os integrantes da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, localizada na Vila Casoni (Área Central de Londrina), uma das mais antigas da cidade. Mobilizados para arrecadar dinheiro, eles viabilizaram a reforma da igreja, construída há 30 anos, cujo telhado está sendo completamente trocado.
A criação da paróquia é ainda mais antiga. Foi em abril de 1954 que os primeiros padres xaverianos chegaram à Vila Casoni e construíram uma capela em homenagem a Nossa Senhora de Fátima. A comunidade promoveu diversas reformas na paróquia.
A inauguração da nova igreja foi marcada por uma grande festa, com a presença do então Bispo Dom Geraldo Fernandes, em 19 de outubro de 1975. A obra só foi possível graças aos esforços dos paroquianos, através de promoções e quermesses. E agora a história se repete.
Uma campanha foi organizada para arrecadar fundos através do pagamento de carnês com contribuições mensais. Eventos beneficentes, como churrascos, também foram promovidos pela comunidade, formada por cerca de 6 mil fiéis assíduos.
A troca do telhado começou há cerca de um mês. As telhas antigas serão doadas. As novas, galvalumes pré-pintadas, estão sendo instaladas por um grupo de 15 funcionários de uma empresa de estruturas metálicas. A expectativa, se a estiagem persistir, é que a obra termine até o final da semana. O custo total é de perto de R$ 160 mil.
A opção pelo novo material, em substituição às 27 mil telhas de barro, foi para facilitar a manutenção, explica o padre Mario Minutti, titular da paróquia há um ano e meio. Com qualquer vento mais forte, era comum ocorrer um destelhamento parcial. De uma só vez, mais de mil peças precisaram ser trocadas após um vendaval.
O comerciário aposentado Francisco Cláudio Santille, 72 anos, acompanha de perto a aventura de repor as telhas a mais de 20 metros de altura. Até pouco tempo atrás, ele era um dos poucos que tinha coragem de escalar os pontos mais altos para realizar os reparos. ''Acho o telhado velho mais bonito, só que tinha de trocar porque estava dando muito problema'', opinou.
A troca de telhas era relativamente comum por causa da inclinação do telhado. Para minimizar as quedas provocadas pelo vento ou pela chuva, cada peça foi amarrada com arame nas vigas de sustentação da cobertura do templo. Um trabalho artesanal substituído agora - mais de três décadas depois - pela eficiência das pré-moldadas.
Outro problema era o aparecimento constante de infiltrações. Com a nova estrutura, porém, as telhas são fixadas com parafuso brocante, o que confere mais segurança. ''Aqui é descampado e o vento, mais forte. Essa estrutura é a ideal'', avaliou o engenheiro Yoshimi Kaminagakura. A colocação de mantas refletivas sob as telhas garante conforto térmico.
O padre considera que a opção por telhas brancas não vai descaracterizar a paróquia histórica e ainda embelezará a igreja. ''A própria Catedral já usa esse tipo de cobertura'' lembra.
Mudança aprovada, segundo ele, pelos próprios fiéis. Tanto que moradores de apartamentos na Área Central já comentaram que a nova cor confere mais destaque à igreja que, coincidentemente, agora ''veste'' o mesmo branco da roupa de Nossa Senhora de Fátima.

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