IDEALRosalina Patrocínio cozinha em fogareiro improvisado, diante do barraco: ‘‘Para ficar melhor só falta uma luzinha, né?’’‘‘Aqui reside Deus, não será permitida a entrada ou permanência de drogados.’’ A inscrição, cravada no velho portão de madeira, não deixa dúvidas sobre a situação de agústia que vive boa parte dos moradores do Jardim Nossa Senhora da Paz, na zona oeste de Londrina, antiga Favela da Caixa. O local, que sempre teve fama de violento, agora também é obrigado a conviver com o problema das drogas.
PARAÍSOCecílio Ferreira Vieira, em seu bar: ‘‘O pessoal de cima não gosta muito da gente, acha que aqui é tudo favela’’.‘‘O que atrapalha aqui é a bagunça, principalmente à noite. O pessoal fica louco e entra no quintal da gente. Já quebraram até o muro de tanto pular. Não respeitam nem minha mãe, que já tem 70 anos de idade. Eu sou crente, minha mãe é crente, a gente não mexe com isso. Mas há muita confusão aqui’’, desabafa Marlene Caios Pereira da Costa, 38 anos. A moradora conta que a idéia de escrever no portão da casa foi de um dos irmãos, também religioso, que não aguentava mais a farra dos usuários de droga do bairro. Tanto que, meses atrás, acabou desistindo: não mora mais no Nossa Senhora da Paz.
CANTINHO DO CÉUViúva e mãe de 10 filhos, Dona Conceição lembra que moradores faziam sabão com sebo despejado por frigorífico no Ribeirão Quati. O fato de ter pintado a casa de azul não tem relação com o nome da favela: ‘‘Pura coincidência’’Marlene recorda que se mudou para o bairro no começo da década de 70, quando o local ainda era chamado de Favela da Caixa. Tempos depois se casou, foi para outra região da cidade. Acabou voltando há quatro meses, quando se separou do marido, para morar perto da mãe. Ela destaca que o problema das drogas é tão grave que atingiu até um dos irmãos, que ainda mora com a mãe. Mesmo a polícia, ela diz, no intuito de combater o tráfico, às vezes tira o sossego dos moradores. ‘‘Já entraram em casa e reviraram tudo para ver se achavam alguma coisa’’, lamenta. E define: ‘‘Que Nossa Senhora da Paz o quê! Aqui é Nossa Senhora da Bagunça.’’

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