NOSSA CIDADE - Chamem os direitos humanos...
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segunda-feira, 08 de julho de 2002
Marta Medeiros <BR>Equipe da Folha 
Maringá A viagem de ônibus entre Maringá e Londrina iria durar uma hora e meia. Não havia motivos para muita ansiedade até porque a linha não era pinga-pinga. Os passageiros se acomodaram e o ônibus lotado partiu da rodoviária. Ao lado da moça, um senhor puxou conversa. Ele contou que atualmente morava no Mato Grosso e tinha 61 anos. Estava indo para Londrina resolver negócios.
Parte do caminho foi nostálgico porque o senhor apontava para a paisagem os locais por onde viveu quando moço naquela região. Depois casou, formou família e partiu da terra querida.
O som da conversa era alto porque o senhor não economizava no tom de voz. Por causa disso, os demais passageiros mesmo sem querer sabiam exatamente do diálogo entre a moça e o senhor.
Lá pelas tantas a conversa ficou mais atual e se concentrou no índice de criminalidade. O senhor estava horrorizado por conta da morte de um jornalista da Globo (o Tim Lopes) e também transtornado de como as organizações criminosas tomavam conta de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.
Para o senhor, o governo enfrentava dificuldades à toa para acabar com a onda de violência no País. ''O problema é fácil e rápido de resolver, mas falta coragem para colocar algumas soluções em prática'', dizia o senhor.
A moça, então, ficou curiosa. Afinal, o tema sobre violência reúne políticos, cidadãos, juristas e nada de viável a curto prazo aparece no cenário. Ao contrário, a criminalidade é cada vez mais gritante.
- Diga então uma solução, indagou a moça em tom de desafio.
O senhor de pronto respondeu:
- É só o governo pegar um avião, tipo de carga, e juntar os bandidos, os chefões mesmo, e colocar todos na aeronave.
- E daí? Perguntou a moça ainda mais curiosa.
- E daí você leva o avião para o alto mar...lá no meião do oceano e abre o avião. Sabe...tipo caminhão basculante e joga todo mundo na água. Quem conseguir se salvar, tudo bem, quem não conseguir é porque não era mesmo para se salvar.
Quando o senhor terminou de explicar a idéia, a moça já não sabia o que falar. Ficou séria e ao mesmo tempo com vontade de rir. Mas, no ônibus, o silêncio era total.
- Nossa...o senhor é muito radical. A sua idéia chega a ser uma afronta aos direitos humanos, respondeu a moça na tentativa de chamar a atenção do companheiro.
- Aí que está o problema...esse tal de direitos humanos que não deixa o governo acabar com o crime. Tá aí..é só não ligar para o pessoal do direitos humanos e tudo será resolvido.
Quando a moça percebeu o ônibus já estava estacionando na rodoviária de Londrina.
- Escuta senhor tenho que ir. Como é, afinal, o nome do senhor.
- Meu nome é Hilário.


