'Nós vamos desmascarar os brasileiros'
Nós vamos
desmascarar
os brasileiros
Entre crianças, mulheres, muitas delas grávidas, e homens com traços índigenas, a figura de Tomás Zayas, 37 anos, surge como um líder emprestado. Os campesinos encontraram no presidente da Associação dos Agricultores de Alto Paraná um porta-voz que levou seus problemas às emissoras de rádio e TV de Assunção.
Zayas também adotou os sem-terra, que fazem parte de um grupo independente em relação ao movimento de ocupações lideradas pela Federação Nacional dos Campesinos, organização zapatista que reúne, além dos sem-terra, pequenos produtores dos 17 departamentos (estados) do país.
Menos politizado e com trâmite fácil nos corredores do poder, Zayas foi convidado pelo IBR e pelo comandante da Polícia Nacional, Miguel Nuñes Vaz, para participar de um encontro na terça-feira, que esclareceu os campesinos sobre como será o censo e qual providências estão sendo tomadas para apurar a autoria de dois assassinatos de sem-terra, ocorridos este ano. Ele deu a seguinte entrevista à Folha.
Folha Os campesinos concordam com este censo?
Zayas Sim. Este povo só tem a ganhar com este levantamento. Vamos desmascarar os brasileiros que ocupam mais terras do que consta na escritura. Estas terras devem servir à reforma agrária.
Folha Como o senhor vê a situação dos brasiguaios?
Zayas Eles nos acusam de violência, mas nada ficou comprovado. As propriedades ocupadas pelos campesinos não são de ninguém. Então que sirva aos paraguaios que precisam de terras.
Folha Existe a possibilidade de o conflito se agravar após o censo?
Zayas Queremos que as duas partes saiam ganhando. Os brasileiros são importantes para a região e poderemos trabalhar juntos.
Folha Os brasiguaios dizem que tem medo dos campesinos. Eles estariam andando armados. Isto é verdade?
Zayas Quem deve ter medo são os paraguaios, que nunca mataram ninguém. Nós é que tivemos dois irmãos nossos assassinados pelos brasileiros.





