‘Nos prometeram terra e
é uma excelente proposta’

Ney de SouzaJoão Amorin deixou o Paraguai e veio ‘‘tentar a sorte’’ em FozO lavrador João Amorin, de 57 anos, é um dos cadastrados pela Central de Movimentos Populares (CMP) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Foz do Iguaçu. Depois de trabalhar como empregado em fazendas de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná, Amorin tentou a sorte no município de Corpus Christi, no Paraguai, onde comprou um pequeno sítio.
Dois anos depois, sem nenhum apoio, Amorin decidiu deixar tudo e voltar para o Brasil. Há seis meses morando em Foz, ele vive em uma pequena casa de três cômodos, com a mulher, Nair, e mais quatro filhos. Todos estão desempregados. Enquanto esperava a hora de reunião na CMP, ele concedeu entrevista à Folha:
Folha - Há quanto tempo o senhor trabalha com a terra?
João Amorin - Há 45 anos. Comecei trabalhando na lavoura aos 12 anos.
Folha - Por que deixou o campo e veio para a cidade?
Amorin - Para tentar uma vida melhor para meus filhos. Mas estamos sofrendo. Às vezes não temos nem o que comer.
Folha - Por que se cadastrar nesse movimento da CMP e do MST?
Amorin - Eles nos prometeram terra e essa é uma excelente proposta para quem precisa trabalhar. Ainda mais no meu caso, que sempre trabalhei na roça.
Folha - O senhor já tentou conseguir um emprego na cidade?
Amorin - Já, mas é quase impossível. Sofri um acidente envolvendo os meus braços e isso me deixou quase inválido. O curioso é que não sofro nada quando faço o movimento contínuo da enxada. Já em outros trabalhos me atrapalha.
Folha - O senhor acredita na reforma agrária?
Amorin - Ela pode até sair, mas isso depende de pressão e de como é feito o jogo.

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