Mesmo com todas as dificuldades, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) tem conseguido manter-se como uma das mais bem-conceituadas do País. ''Só dentro da área biológica, nós temos uma estação de piscicultura que assessora os criadores, um viveiro de mudas nativas para reflorestar as matas ciliares, trabalhos de controle de larvas através de bioinseticidas, os museus de zoologia e anatomia, projetos hidroelétricos e de impacto ambiental, e muitos outros'', enumera Lopes. ''Nós não somos simples reprodutores de saber, nós produzimos conhecimentos novos. Mas falta uma política científica forte no Paraná.''
Ele lembra também a importância do Hospital Universitário, do Escritório Jurídico, da Clínica Odontológica e do Colégio de Aplicação para a cidade, e se entristece ao perceber que não há reconhecimento por parte da população. ''A UEL movimenta o comércio, o setor imobiliário, e é um ponto fundamental inclusive para o turismo de eventos. Por toda essa contribuição para o desenvolvimento da região é que nós merecemos ganhar um pouco mais de respeito e investimentos''.
Em nome dessa produção científica, Lopes muitas vezes substitui o transporte da instituição, levando os alunos em seu próprio veículo até o local da pesquisa, e faz compras emergenciais, como ração e detergente, quando sabe que a instituição não vai conseguir suprir esses materiais a tempo. Ele já chegou a gastar mais de R$ 200 em um mês por conta dessas despesas. ''Uma pesquisa não se pára no meio, se não, você desperdiça todo o tempo e dinheiro dispendido até então. Eu aprendi esse conceito com meus professores, e tento repassá-lo aos meus alunos'', declara.
Segundo o professor, a falta de dinheiro para tocar projetos e participar de cursos faz com que os docentes muitas vezes tenham que se atualizar através da participação em congressos. O baixo número de pesquisas e publicações realizadas no currículo também prejudica a obtenção de financiamentos para novas pesquisas.
Apesar de todas essas dificuldades impostas pela falta de estrutura e defasagem salarial, e mesmo tendo recebido várias propostas com salários superiores para lecionar em outras instituições, o professor só pretende deixar a UEL, universidade onde se formou, quando se aposentar. ''Eu trabalho pelo amor à ciência, pelo desejo de deixar alguma coisa palpável para melhorar a vida humana'', justifica. (A.I.)

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