Aliviado com a libertação, o eletricista Valmiron Torres Quintanilha aproveitou para dormir na manhã de ontem. Nos cinco dias e quatro noites em que ele foi mantido refém pelos caingangues na companhia do irmão, o também eletrecista José Almir Torres Quintanilha, e o sociólogo da Copel Alexandre Húngaro da Silva, ele dormiu num colchão no chão do posto de saúde da aldeia.
Conforme Quintanilha, nas primeiras horas de cárcere, a revolta dos índios assustou os reféns, que foram se tranquilizando ao longo dos dias. Com medo de uma invasão policial, os indígenas ameaçavam tirá-los da aldeia e escondê-los na mata. ''Mas nunca apanhamos nem ficamos sem comer. Fazíamos até quatro refeições por dia: café da manhã, almoço, café da tarde e janta, que o pessoal da Copel mandava'', contou o eletrecista.
Segundo o trabalhador, no dia em que chegaram na aldeia para trabalhar, ele foi chamado pelo cacique para conversar e acabou aprisionado junto ao irmão. ''Me empurraram e tomaram minha chave. Depois nos levaram para a cadeia deles, que está em reforma. Era um calor e um mal cheiro danado.''
Quintanilha comentou que o trio costumava transitar pela aldeia, sem problemas, mas sempre com a vigilância de um indígena. Eles também falavam com os familiares até duas vezes ao dia. ''Meu irmão era mais agitado e eu tinha que pedir calma para ele a todo momento, porque o nervosismo dele poderia piorar a situação.''
Em casa com a família, o eletricista quer agora conversar com o patrão para definir a situação dele na empresa que presta serviços para a Copel, onde trabalha há um ano. ''Se precisasse, trabalhava hoje mesmo'', garantiu Quintanilha, que precisou convencer o irmão a cumprir pelo menos o aviso prévio. ''Ele ainda não pediu demissão, mas ficou traumatizado.''

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