''É muito chato ser dispensado assim, porque a gente precisa das aulas, e depois acaba tendo que repor e as férias ficam mais curtas'', avaliou Josimar Antônio Oliveira da Silva, 15 anos, que convive com pedras e goteiras desde que entrou na escola, há três anos. ''Já aconteceu de acertarem a janela e o vidro acertar em mim. Daí eu saí correndo'', contou.
Ele afirmou não saber quem são as pessoas que atiram pedras. ''Sei que tem um pessoal que sobe no muro e invade a escola. Eles ficam dentro da quadra, alguns para fumar, outros para jogar bola. E também atormentam os professores'', revelou.
Josimar confessou que frequentemente sobe no telhado para buscar uma bola, mas garantiu que jamais quebrou nenhuma telha com isso. ''Eu tomo cuidado, piso onde não quebra. Acho que as goteiras são mais por causa das pedras que jogam.'' O estudante revelou, porém, que já viu outros alunos brincando sobre o telhado. ''Dá tristeza ver essa situação e saber que a gente não pode fazer nada, já que nós somos só alunos.''
Para os professores, os transtornos comprometem principalmente a qualidade do ensino. ''Temos que ficar trocando de sala de aula, perdendo tempo e conteúdo. A escola não tem estrutura, não temos condições de trabalhar assim'', alegam.
Eles contam que alunos e professores já foram feridos pelos ataques, e que precisam pedir para os alunos afastarem as carteiras das janelas para não serem atingidos. ''O governo tem que dar uma solução. Já faz tempo que estamos reivindicando uma reforma, mas ninguém olha para as escolas da periferia. Nós estamos abandonados.'' (A.I.)

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