''Nos enganamos ao pensar que os jovens sabem tudo''
Angela Buena Germinari Basílio faz parte de um pequeno grupo de educadores em Londrina que consegue abordar de forma continuada a educação sexual em sala de aula. Depois de entrar para o Gees, em 2003, ela se apaixonou pelo tema e não parou mais de estudar sobre o assunto. Descobriu, em primeiro lugar, que trabalhar a sexualidade não é tratar o sexo em si, mas abordar valores que envolvem auto-estima, afetividade, respeito ao próximo. ''A escola não prepara para a vida? Então tem que trabalhar a sexualidade'', diz Ângela, que leciona Ciências e Matemática na Escola Estadual José Carlos Pinotti, no Jardim dos Pássaros (Zona Norte).
Ela conta que a sexualidade é trabalhada também por outros educadores dentro da escola e que toda a equipe, envolvendo direção e pais de alunos, apóia o trabalho. No ano passado, a professora trabalhou a educação sexual com as turmas de sexta e oitava séries. Além das discussões em sala, os alunos pesquisaram temas como aborto, homossexualidade, relações de gênero, abuso sexual, produziram textos e apresentaram para a turma.
''Nós nos enganamos quando pensamos que os jovens sabem tudo. Eles precisam ter um lugar propício para falar sobre suas dúvidas'', revela. A professora conta que na sexta série as dúvidas são mais referentes ao corpo e na oitava a principal preocupação é com os relacionamentos (amigos, namorado, família).
Para Ângela Basílio, trabalhar a sexualidade faz o educador enxergar a educação com outros olhos. ''Se o aluno desenha um pênis no quadro você pode achar que aquilo é uma afronta para você. Mas, às vezes, o adolescente pode estar pedindo socorro e não tem a quem recorrer'', analisa. (G.M.)





