Nos demais bairros, adesão foi tímida
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quinta-feira, 05 de julho de 2007
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Nos bairros, a adesão ao movimento ''Chega de Luto'' foi tímida. No Cinco Conjuntos (Zona Norte) o comércio não fechou as portas e trabalhadores e clientes transitaram normalmente pela avenida de maior fluxo, a Saul Elkind.
Para a comerciante Eliane Lisboa Ávila, que mantém uma loja de artigos para crianças há três anos na Avenida, faltou mobilização. Por isso, ela manteve as portas abertas. ''Considero o manifesto em si positivo, mas fiquei sabendo através do rádio e pelo jornal. Assim não funciona''.
Gerente de loja, Celsina Modesto de Araújo já perdeu as contas dos assaltos na região. ''Por aqui, já fomos assaltadas quatro vezes, em três anos de comércio. Há quatro anos moro nos Cinco Conjuntos e não conheço um comércio que não tenha sido assaltado. Diante dessa situação, já criei alguns hábitos, como ter a certeza de que todo ano serei assaltada'', entrega.
Um pouco mais adiante, uma loja de móveis e eletrodomésticos encontrou uma forma diferente de apoiar o movimento. ''Em vez de fechar, resolvemos aderir apenas colocando as faixas pretas, na fachada da loja. Aqui na região a polícia faz um ótimo trabalho. Não há o que se fazer mais diante da falta de efetivo. A polícia trabalha em seu limite'', afirma Flávio Oliveira, gerente da loja, assaltada ''apenas'' uma vez.
Na Avenida Inglaterra (Zona Sul), alguns estabelecimentos deixaram de funcionar das 10 às 11 horas. ''A sociedade tem que se unir. Se a violência é geral, todos deveríamos aderir'', salienta o empresário Manoel Shimizu, que baixou as portas de seu bar.
Mas nem todo mundo aderiu. Nas imediações da avenida, havia muitas lojas funcionando normalmente. Para Shimizu, a justificativa está na data escolhida. ''O ideal seria fazer isso num sábado. Numa quinta-feira, com todo mundo trabalhando, pouca gente se sensibiliza''.
Proprietária de uma papelaria, Lindaci Delai optou por manter seu comércio funcionando, em virtude do ''acúmulo de trabalho''. ''A manifestação não tem grande valia, porque, para mim, em um dia só não se resolve nada. Protestar é preciso, mas falta uma liderança, propondo soluções, chegando perto do governo, não apenas expondo um fato isolado à mídia''.


