Não foi moleza. Percorrer o Paraná todo em busca de seus últimos moradores foi uma missão cansativa. Depois de muitas consultas a mapas, perguntas daqui e dali, horas em barcos, um sobrevoo de ultraleve e a indispensável ajuda de um aparelho de GPS, descobrimos pessoas que muito bem representam os 10.284.503 paranaenses espalhados pelos 199 mil quilômetros quadrados do Estado.
Porém, a missão foi gratificante. Em cada um dos quatro extremos, uma história peculiar. Um dos nossos personagens imaginava que nem estivesse em território paranaense e se emocionou ao descobrir que, na verdade, mora sim no Estado onde foi criado.
Os municípios visitados foram Jardim Olinda (Norte), General Carneiro (Sul), Foz do Iguaçu (Oeste) e a Ilha do Superagui, que pertence a Guaraqueçaba (Leste). Em cada lugar, economia e agricultura ímpares. Até o sotaque muda de uma região para outra. Um retrato da pluralidade do Estado que vai do Rio Jangada ao Paranapema (Sul-Norte) e do Superagui ao Rio Paraná (Leste-Oeste).
Nas palavras do professor de Geografia Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Adilar Cigolini, pode-se dizer que há dois tipos de particularidades geográficas nesses pontos extremos: a primeira relacionada ao quadro físico-natural e a segunda ao tipo de ocupação e uso do espaço.
''Se observarmos a localização desses pontos, percebe-se que aquele do Leste, por estar no litoral, tem características bastante diferenciadas dos outros três, todos situados no Terceiro Planalto Paranaense. Entretanto, o ponto localizado em Jardim Olinda se diferencia dos demais por estar precisamente numa subdivisão do Terceiro Planalto, denominado Planalto de Apucarana, que tem características de solo, vegetação e clima diferentes de Foz do Iguaçu ou de General Carneiro. Há também a diferenciação que ocorre em virtude da colonização e da formação histórica'', explica o professor.

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