Muitas são as histórias que cercam o Centro Social Urbano da Vila Portuguesa. A aposentada Joana Guedes Gregório, de 72 anos, que reside há mais de 30 anos às margens do parque, contou duas delas à reportagem.
A primeira remonta aos primeiros anos do centro social. A taboa que dominava a paisagem deu lugar a um imenso gramado, com extensa área de lazer, inaugurado em maio de 1979. O lugar recebia a visita de gente de todas as regiões da cidade, atraídos por uma das principais atrações das tardes dos finais de semana: o baile.
''Eu frequentava com as amigas só para espiar as outras mulheres dançando'', recordou. Sorrindo, ela disse que quem gostava das tardes dançantes era o marido, Antônio Gregório, hoje com 79 anos. Ele não era nenhum ''pé-de-valsa'' mas dava seus passinhos na pista de dança, sempre sob os olhos atentos da esposa.
Em meio ao simples, mas belo jardim cultivado há anos pelo casal, Joana lembra também de quando teria visto uma das aparições de Nossa Senhora da Conceição do Vale. ''Numa sexta-feira maior, apareceu uma luz igual a uma mulher. Vi um manto azul claro, quase branco. Parecia um terço caindo do céu e depois apareceu a santa.'' Desde aquela data, em abril de 1995, ela acompanha as orações que são realizadas no local em todo segundo domingo de cada mês. As ruas ficavam lotadas de carros e o gramado do parque tomado por peregrinos.
Hoje, porém, ela fala com tristeza do parque. ''Naquela época não tinha anarquia. Agora, fica um bando de gente usando drogas ai pra baixo e dando tiro a toda hora.'' O casal continua frequentando o parque, mas que agora, por motivos de segurança, as caminhadas foram transferidas para o início da manhã.

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