Neste ano, o Rodeio da Exposição foi cheio de novidades, repleto de gente famosa no mundo das arenas. E é claro, de touros. Além deles, a Companhia de Rodeios do Brasil trouxe também a última novidade: os telões, que permitem ver em câmera lenta o replay das montarias.
Antes das montarias, vão para a pista todos os peões, a rainha da Exposição, as princesas, a garota simpatia.
Alheio a tudo isso, um rapaz que se identifica como Adriano ''Salsicha'' está concentrado preparando a ''ligeira'', que é a corda que segura o portão de onde saem os touros. É dele a responsabilidade de abrir o trinco para soltar o bicho somente na hora certa. Salsicha viaja o País fazendo esse serviço, que lhe rende em torno de R$ 800,00 por rodeio.
Um dos momentos de maior emoção é quando um globo terrestre colocado na arena começa a se abrir, revelando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil e dos peões. A maioria é devoto da Santa e se ajoelha no chão de areia em um momento de oração.
Chega a hora e o primeiro touro vai para o brete. Os animais impressionam pelo tamanho e pela fúria. Não é à toa que os peões colecionam histórias de ossos quebrados. É preciso muita coragem para subir no lombo de um bicho desses. Alguns pesam mais de uma tonelada.
Com o animal no brete, o peão faz de tudo para se posicionar da melhor maneira possível. Prende uma corda por baixo da barriga do touro com bastante força. Ali sua mão esquerda fica presa. Nessa corda é passada também uma cola chamada ''breu'' para dar mais firmeza.
Simultaneamente, homens da Companhia posicionam o sedem, que é a corda que vai sob a virilha do touro, fazendo o animal pular. A impressão que fica é de que tudo é feito para irritar o animal. Quanto mais ele pular melhor. Para o dono da fera, quanto mais peões não ficarem sobre o seu animal, melhor. Mas é preciso fazer justiça e registrar que ele aplaude aqueles que conseguem.
Com as porteiras prestes a se abrir, o próprio Paulo Emílio cutuca o bicho, com um chaveiro em formato de espora. O portão é aberto. Um estrondo. O bicho explode em fúria e saltos. Dos 15 finalistas na categoria touros, só três conseguem ficar os oito segundos. Nos cavalos a história é diferente, em vez de força, agilidade. Todos os 10 finalistas dos equinos têm sucesso.
Quem pensa que oito segundos é pouco tempo está enganado. Ali de pertinho, com aquele gigante pulando, parece que o relógio não anda. ''Parar no animal'', como dizem os peões, já é uma conquista em uma rotina que se repete a cada fim de semana nas festas que se espalham pelo Brasil. Viver de montaria não deve ser nada fácil.

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