Jacarezinho O Norte Pioneiro é a região que apresenta a maior deficiência no setor de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Estado, segundo informações da secretaria estadual de Saúde. A região de Jacarezinho, composta por 28 municípios, não possui nenhum leito de UTI. Os pacientes são encaminhados para municípios localizados a distâncias que variam de 80 a 380 quilômetros.
Os pacientes que precisam de UTI, atualmente, são levados para Cornélio Procópio, Londrina, Ponta Grossa, e Curitiba, respectivamente, 87, 153, 274 e 388 quilômetros de Jacarezinho. A direção do setor de sistemas de saúde admitiu que a carência, além de dificultar o atendimento, tem reflexos negativos em todo o sistema. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, (IBGE), a região abrange cerca de 400 mil habitantes.
No Norte Pioneiro, dois hospitais mantêm leitos de UTI. Porém, segundo a direção da Santa Casa de Misericórdia de Jacarezinho e do Hospital Nossa Senhora da Saúde, em Santo Antônio da Platina, as UTIs não podem ser ativadas devido à ausência de médicos intensivistas. Em Jacarezinho a direção tenta, sem sucesso, a contratação de um profissional há seis meses e em Santo Antônio da Platina há, pelo menos, dois meses.
A diretora da 19º Regional de Saúde, em Jacarezinho, Cleide Cesco Mucillo, confirmou que a região de Jacarezinho apresenta demanda significativa de internações em UTI, mas que só pode ser atendida mediante transferência do paciente para outros municípios. Em nota enviada à reportagem, ela informa que a manutenção do cenário mantém a necessidade de transferência dos pacientes, com consequente aumento de risco e superlotação de outros serviços da região e que há necessidade de leitos ativos de terapia intensiva no Norte Pioneiro. A regional reúne 22 municípios.
O diretor de Sistemas de Saúde, Mário Lobato da Costa, disse que a prioridade da secretaria no setor de alta complexidade é a contratação ou implantação de leitos de UTI no Estado. Ele disse que nas próximas semanas deve ser divulgado um levantamento com o número de solicitações de leitos de UTI, cuja carência atinge também outras regiões. ''A situação do Norte Pioneiro é pior porque não tem nenhum leito'', lamentou.
Costa disse que a reclamação das direções dos hospitais sobre a dificuldade de contratação de médicos ''intensivistas'' não justifica a ausência de vagas nos leitos de UTI na região. Ele disse que a comunidade local deve buscar alternativas como a oferta de uma remuneração maior para estimular os profissionais de saúde. Ele também avalia que a instalação de uma UTI melhora o perfil financeiro do hospital. A alternativa, segundo ele, pode ser implementada por uma ação conjunta com a participação de outros municípios diante da regionalização do serviço.

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