Norte Pioneiro sofre com alagamento na região
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de fevereiro de 2010
Fernanda Borges<br> Reportagem Local 
A chuva constante que cai desde o começo do ano no Norte Pioneiro começa a deixar seu rastro pelas cidades da região. Os rios que passam pelos pequenos municípios - Rio das Cinzas e Jaguaricatu - e seus afluentes transbordaram neste último fim de semana trazendo transtornos e prejuízos à população de cidades como Tomazina e Sengés, as duas mais afetadas.
A reportagem da Folha esteve percorrendo algumas cidades da região e encontrou rodovias bloqueadas e pessoas com dificuldade de transporte, água potável e energia elétrica. Trechos da Rodovia PR 435 (entre Congoinhas e Ibaiti) e também da Rodovia PR-151 (entre Piraí do Sul e Jaguariaíva) foram totalmente bloqueados com a força da água dos afluentens que desembocam no Rio das Cinzas.
Pedaços inteiros de asfalto foram levados com a força da água que, segundo a população, começou a se agravar na noite de sexta-feira. Apesar de não haver chovido durante todo o dia de ontem na região, as pessoas tentavam retomar as atividades em meio à lama e destruição.
Em Tomazina as pessoas estão ilhadas, dormindo em casa de amigos, familiares ou em espaços cedidos pela prefeitura. O próprio vice-prefeito do município, Adalberto Sanches da Silva, que mora do lado oposto da ponte que corta o Rio das Cinzas, está desde sexta-feira dormindo dentro de seu veículo e se comunicando com a família, que ficou do outro lado da ponte, pelo celular.
''Estamos sem energia elétrica desde sexta-feira porque a água levou os postes da rede elétrica. Tem gente dormindo até na capela mortuária porque tiveram que abandonar suas casas correndo sem tempo de levar nada'', comentou. Segundo Silva, somente de um lado do rio pelo menos 80 famílias estavam desabrigas ontem. Apesar da tragédia, não houve nenhum ferido. Homens da Polícia Ambiental - Força Verde, percorriam as ruas de Tomazina de barco durante todo o dia de ontem para ajudar a população a ser transportada para casas de amigos e também ir em busca de socorro. ''Farmácias, hospital e posto de saúde ficaram todos do lado de lá da ponte. Quem ficou deste lado está com dificuldade de assistência. Temos idosos que estão sendo levados por populares até Pinhalão para conseguir atendimento'', explicou o comandante do 4º Pelotão da 2 Companhia de Polícia Ambiental, Donizeti Lemos da Silva.
A família do aposentado Lourival do Prado só conseguiu se salvar porque amigos e vizinhos fizeram um ''cordão humano'' para ajudá-los. Segundo o aposentado, em menos de dez minutos a água tomou a casa na noite de sábado. ''Primeiro levamos as crianças, mas quando voltamos a água já estava tomando tudo. Pensamos que fôssemos morrer'', comentou o aposentado.
A cidade de Sengés continua ilhada. Homens do Corpo de Bombeiros estavam sendo transportados do Batalhão de Ponta Grossa com ajuda de helicópteros da Secretaria do Estado de Segurança Pública (Sesp). Eles levam mantimentos para a população e prestam atendimento às vítimas, além de tentar localizarem um homem que até ontem estava desaparecido. Somente a pé é possível entrar na cidade. A reportagem conseguiu chegar até a área central e encontrou lojas inteiras devastadas pela água do Rio Jaguaricatu - que passa dentro da cidade e chegou a atingir mais de cinco metros acima de seu nível normal.
A comerciante Suelen Medeiros, que trabalha numa loja de calçados, trabalhava ontem com os demais funcionários na tentavida de limpar o que sobrou do estabelecimento. ''Os proprietários moram em Itararé mas ainda não conseguiram chegar até aqui por causa da rodovia interditada. Perdemos praticamente tudo'', lamentou.
Partes das lojas, postes de iluminação pública e asfalto foram levados pela força da água. Ontem o rio já voltava ao nível normal, mas a população começava a sofrer com a falta de água. ''Estamos sem tomar banho e sem água pra beber. Está difícil achar pra comprar porque quem tem não quer vender'', comentou a moradora Ana Maria de Freitas.
A preocupação da polícia civil de Sengés era com a segurança da população. Segundo o delegado, Durval Athayde Filho, vários saques foram feitos no momento em que a água tomava conta da cidade. ''As lojas eram arrombadas com a força da água e então os objetos iam sendo levado pela correnteza e agarrados por algumas pessoas. A falta de energia elétrica piora a situação'', disse.


