Noronha volta a chefiar polícia em Foz
Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
A 6ª Subdivisão Policial, que engloba mais quatro distritos de Foz do Iguaçu, tem um novo delegado-chefe. Ricardo Kepes Noronha, 41 anos, presidente da Associação dos Delegados da Polícia Civil do Paraná, assumiu o cargo ontem, substituindo Luis Carlos de Oliveira, que está de férias e deve ser transferido para algum distrito de Curitiba.
Desgastado pela alta taxa de criminalidade da cidade, Luis Carlos de Oliveira ficou em situação ainda mais difícil depois das acusações do investigador licenciado Paulo Roberto Oliveira.
O delegado Oliveira estaria recebendo propinas de quadrilhas de ladrões de carros que usam a Ponte da Amizade (que une Foz a Ciudad del Este) para passar os veículos para o Paraguai, além de liberar ilegalmente presos mediante pagamento de suborno e de receber propinas para não autuar e prender traficantes. Na quarta-feira, Jorge Cézar Ajuz, delegado corregedor, esteve em Foz colhendo depoimentos de policiais para instaurar um inquérito administrativo que apurará o caso.
Noronha chega à fronteira com o aval do secretário estadual de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira. Ele acredita que Foz é uma região especial para o Estado por abrigar muitos criminosos foragidos de outras cidades, disse o novo delegado.
O secretário optou por Noronha pelo conhecimento que o delegado tem da região. Ele trabalhou em Foz durante um ano, entre 1995 e 1996. Já dá para perceber que a situação é diferente. A maioria dos problemas que encontrei na minha primeira passagem se agravou.
Os pontos críticos da fronteira, segundo Noronha, são o tráfico de drogas, furto de veículos e assaltos a banco. Estes problemas são interligados. Minha proposta é incentivar a cooperação entre a Polícia Civil, a Polícia Federal e a Polícia Militar, o que parece que não vinha acontecendo, afirmou.
O delegado-chefe quer ampliar ainda a participação da comunidade na resolução de crimes. Quando a sensação de insegurança que paira na cidade diminuir é natural que o número de denúncias contra criminosos aumente, observou.
Até o início desta semana, Noronha trabalhava em Curitiba, como delegado especial do Departamento de Segurança e Informações da Polícia Civil. Ele também foi diretor do Instituto de Identificação e delegado-chefe do Comando
de Operações Especiais (Cope). Ele não quis comentar o trabalho desenvolvido pelo ex-delegado, nem sobre as acusações de corrupção.





