Marcelo AlmeidaNoronha: ‘‘P2 foi criada para investigar crimes que envolvam PMs, qualquer outro procedimento é irregular’’O delegado João Ricardo Keppes de Noronha, quinta testemunha da acusação a depor no Fórum de São José dos Pinhais, disse ontem que o envolvimento de policiais militares nas investigações do caso Evandro foi ‘‘irregular’’ e ‘‘inconstitucional’’. Segundo o delegado, que comandou parte das investigações, todas as questões ligadas ao inquérito policial são de competência exclusiva da Polícia Civil, e não devem sofrer interferência da Polícia Militar.
‘‘A P2 (serviço secreto da PM que realizou a prisão dos sete acusados no caso) foi criada exclusivamente para investigar crimes que envolvam policiais militares, e qualquer outro procedimento por parte dela é irregular’’, afirmou. Noronha apoiou sua declaração no artigo 144 da Constituição Federal, que estabelece as competências dos serviços policiais. Segundo a Constituição, a Polícia Militar é responsável pela prevenção e repressão de crimes, enquanto a Polícia Civil desempenha o papel de polícia investigativa e judiciária.
O delegado apontou ainda outra possível irregularidade no processo do Caso Evandro, levantado durante o depoimento de outra testemunha da acusação, a odontolegista Beatriz Sotile França. Revendo o ofício enviado pela juíza Anésia Kowalski pedindo que as fichas dentárias de Evandro Ramos Caetano fossem encaminhadas ao IML, a odontolegista identificou a assinatura do capitão da Polícia Militar Valdir Copetti Neves. Segundo Noronha, o ofício deveria ter sido entregue a ele, que presidia o inquérito, e não a um policial militar.
Ontem pela manhã, no 24º dia de julgamento, a juíza Marcelise Weber Lorite suspendeu a sessão para que os jurados pudessem resolver problemas particulares. Acompanhados por oficiais de Justiça, eles tiveram tempo livre para ir ao banco e resolver outras questões que exigissem sua participação direta. Hoje à tarde, com o provável fim do interrogatório de Noronha, deverá começar a ser ouvido o pescador Edésio da Silva, uma das principais testemunhas da acusação, que afirma ter visto o menino Evandro no carro de Beatriz no dia do crime.

mockup