Normas regularizam brinquedos infláveis
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Diogo Cavazotti<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - O uso e fabricação de brinquedos infláveis no Brasil passa a ter critérios rigorosos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O estudo durou dois anos e foi feito após duas crianças morrerem em um acidente em Curitiba, onde fortes rajadas de vento derrubaram um brinquedo durante uma festa empresarial, em 2008. Os fabricantes têm até 20 de julho do ano que vem para se adaptarem.
A criação das normas pela ABNT não gera multas para quem produz os brinquedos. Porém, muitas das empresas que alugam com frequência estes produtos passaram a dar preferência para quem já adotou as mudanças sugeridas. O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) pretende agora realizar testes para começar a fiscalização.
O estudo aconselha que o motor que mantém o equipamento cheio de ar fique protegido em uma caixa especial para evitar o acesso de crianças. A norma também sugere a utilização de tecidos específicos, costuras especiais, telas de proteção e existência de monitor durante todo o funcionamento do brinquedo.
As normas indicam até o ângulo que as estacas que seguram o brinquedo no chão devem estar fixadas. Cada equipamento deve ter um número máximo de crianças dentro e na entrada é necessário indicar a idade e altura mínima e máxima para participar da brincadeira.
A regularização prevê a forma como o equipamento deve ser mantido no chão. Caso haja existência de ventos em escalas mais fortes, ele deve ser esvaziado. ''Nas normas, o instrutor pode ver a escala de ventos conforme o movimento das folhas das árvores. Isso é bem detalhado no estudo'', explica o coordenador da Comissão de Estudo Especial de Segurança de Brinquedos Infláveis na ABNT e também diretor de Apoio às Comissões da Câmara Municipal de Curitiba, José Carlos Lauter.
Antes da existência destas normas, os fabricantes não poderiam ser totalmente responsabilizados por eventuais problemas, pois não havia regras para o setor. Empresas que possuem grande número de brinquedos para alugar solicitaram um período de oito anos para realizar as exigências, mas o prazo não foi prolongado. ''Muitos brinquedos já existentes podem ser apenas adaptados, pois a maior parte foi fabricada com o material apropriado.''
Durante a pesquisa feita pela ABNT, foram constatados outros acidentes com crianças em várias cidades do Brasil, mas nenhum resultou em morte, como o caso de Curitiba.


