Norma restringe
acesso de ‘pessoas
comuns’ à Câmara
Após escândalo, vereadores dificultam entrada em dependências da Casa
Osmani Costa

Arquivo/Folha
O vereadorAdalberto Pereira: ‘A entrada estava muito facilitada’ A mesa diretora da Câmara de Londrina definiu ontem novas normas de entrada no prédio - que fica na Praça dos Três Poderes (Avenida Duque de Caxias). As novas regras dificultam o acesso de pessoas aos gabinetes, corredores e ao plenário da Casa. A porta dos fundos, que dá para o estacionamento e Rua Governador Parigot de Souza, agora permanece fechada e sob a guarda de um vigilante da empresa Auxiliar, que presta serviços à Câmara. Por ela, ao contrário do que ocorria até a semana passada, agora entram somente os vereadores, funcionários da Câmara e profissionais da imprensa.
O acesso de ‘‘pessoas comuns’’, conforme determinação da mesa diretora, desde ontem só é possível pela porta principal, que dá para a praça da Prefeitura e do Fórum. Nesta entrada, toda pessoa deve se identificar junto aos funcionários da recepção, explicar a qual gabinete se dirige, e quais os objetivos da visita à Câmara.
A restrição de acesso, impostos ontem pela Câmara, atinge somente o plenário, os gabinetes dos vereadores e corredores próximos ao plenário. O acesso às galerias da Câmara continua livre para que a população possa acompanhar as votações dos projetos de lei.

César Augusto
Barrados no baileNas portas da Câmara, seguranças impedem a entrada de ‘estranhos’ ao plenário e gabinetes: livres só as galeriasO presidente da Câmara, Adalberto Pereira da Silva (PFL), admitiu que este maior rigor no controle do acesso de populares se deve, em parte, ao caso ocorrido recentemente e que ficou conhecido como ‘‘o escândalo do leite’’. Nele, o representante comercial Fredemax Mota - que não é funcionário da Câmara, nem assessor parlamentar de vereador - conseguiu acesso a cópias de laudos de análises da qualidade de várias marcas de leite vendidas na Cidade, que foram realizadas no Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, e teriam sido enviados à Câmara no início de abril pelo Correio, em nome do ex-vereador Jaci Aguiar (suplente que exerceu o mandato até o final de março).
Segundo o presidente da Câmara, a decisão da mesa diretora foi uma resposta a pedidos de vários vereadores. ‘‘A entrada estava muito facilitada. Estávamos tendo muita gente estranha andando por aqui diariamente. As pessoas ficam perambulando de um lado para o outro, sem que nós saibamos o que elas estão fazendo. Isso estava prejudicando o serviço dos funcionários e o trabalho dos vereadores’’, explica Adalberto da Silva.
‘‘Tínhamos a idéia de que a Câmara, por ser a casa do povo, poderia funcionar de maneira mais aberta, com facilidade de acesso para todas as pessoas. Infelizmente, isso não deu certo’’. Adalberto diz ter recebido muitas reclamações dos vereadores nos últimos dias. O presidente da Câmara afirma: ‘‘Por isso, vamos passar a funcionar como qualquer repartição pública. Quem quer entrar, deve se identificar e explicar os objetivos da visita, sem atrapalhar o andamento dos trabalhos’’.

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