Norma reduz abate clandestino
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terça-feira, 26 de novembro de 1996
Cláudia Barberato 
A implementação, no Município, das regras que tratam da distribuição de carne desossada e embalada foi discutida na sexta-feira, em Londrina, pelo escritório regional do Ministério da Agricultura. O sistema já entrou em vigor nas cidades de São Paulo e Porto Alegre e, a partir do dia 4 de janeiro, será implantado na Região Metropolitana de Curitiba, envolvendo cerca de dez municípios.
O chefe do Serviço de Inspeção Federal do Estado do Paraná, Carlos Roberto Conte Naumann, que esteve em Londrina para esclarecer diversos pontos a respeito da Portaria 304, trouxe o exemplo de Curitiba, que desde maio discute a implantação do serviço. Segundo ele, a nova maneira de comercialização da carne deverá, num primeiro momento, reduzir em 30% a 40% os abates clandestinos na RMC, garantindo que a população consuma carne de melhor qualidade.
Naumann garante que o principal objetivo desta portaria é fornecer ao consumidor carne com fiscalização sanitária, de qualidade, boa procedência e identidade conhecida. Para isso, os frigoríficos e distribuidores, que fazem o abate e a comercialização da carne, terão que se adequar a normas impostas pelo Ministério da Agricultura.
Primeiro, ter o serviço de inspeção, seja federal, estadual ou municipal. Depois, montar uma estrutura de sala de desossa capaz de proporcionar o novo serviço. Também o transporte e conservação da carne não poderão exceder a temperatura de 7 graus centígrados, com carência de 3 graus. A portaria é de adesão, mas uma vez o compromisso firmado entre todos os segmentos da cadeia produtiva, a lei terá que ser cumprida, disse Naumann.
A lei determina que a carne seja comercializada, nos mais diversos pontos, desossada e embalada, com etiqueta-lacre contendo informações sobre data de abate, procedência, nome do corte, identificação de sexo (para bovinos e bubalinos), temperatura de conservação e data de validade. Naumann lembra que a portaria vale também para suínos, ovinos e caprinos, a exemplo do que já acontece com o setor de aves.
O presidente do Sindicato da Indústria de Carne e Derivados do Paraná, José Aparecido Tomazelli, mostrou-se favorável à adoção da portaria da carne desossada e embalada. Segundo ele, num primeiro momento o investimento para a indústria seria de US$ 1 milhão para montar toda a estrutura de desossa e embalagens. O custo seria compensado pelos benefícios como redução de frete.
De maneira geral, afirma Tomazelli, a indústria não só do Paraná mas do Brasil ainda não está preparada para adotar a portaria. Mas sentimos a necessidade de modernizar, fazer investimentos. A desossa pode ser o caminho para salvar o setor, que está descapitalizado, não tem margem de lucro. Nova reunião para discutir o assunto será realizada dia 16, no escritório regional do Ministério da Agricultura (antiga sede do IBC), a partir das 9 horas.


