James Alberti
De Curitiba
A determinação do secretário de Estado da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, de que fossem afastados os policiais civis e militares envolvidos em crimes, não foi cumprida pelas chefias da polícias Civil e Militar. Segundo a norma, publicada pela Folha no dia 22 do mês passado, os acusados deviam ser afastados imediatamente, embora os comandantes das polícias pudessem informar o cumprimento das ordens em dez dias. O prazo expirou ontem.
Apesar disso, o tenente Demétrius Farias Lobo, que trabalha no Quartel Central da PM, em Curitiba, e é acusado de dois assassinatos, trabalhou normalmente ontem, conforme informou a soldado Ribeiro, do Comando do Policiamento da Capital. O mesmo ocorreu com o delegado Maurício Bitencourt Fowler, que trabalha na Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública e é acusado de participar da morte do estudante Rafael Zanella.
Também trabalharam normalmente ontem o escrivão Patrich Mazzolli e os investigadores Moacir Santos Silva e Fernando de Freitas, da Delegacia de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba. Os três são acusados pela investigadora Raquel Bandeira, que trabalhava na mesma delegacia, de torturar presos. As sessões de tortura eram comandadas, segundo a policial, pelo delegado de Campo Largo, Marcos Antônio de Oliveira. O delegado e a investigadora estão afastados das funções desde que a denúncia foi publicada pela Folha, no mês passado.
A assessoria de comunicação do delegado geral, Newton Tadeu Rocha, afirmou que os policiais estão trabalhando porque não pediram afastamento, ao contrário do delegado. Conforme a assessoria, os três policiais irão continuar atuando até o final das investigações, o que contraria a norma do secretário da Segurança. O assessor de imprensa do secretário da Segurança, Valdir Bicudo, no entanto, reafirmou as ordens de Oliveira.

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