Paulo Pegoraro
De Cascavel
Um grupo de 35 pessoas de Alagoas está em Cascavel recebendo treinamento para alfabetizar populações daquele Estado do Nordeste, onde é registrada uma das mais altas taxas de analfabetismo do País e a mais alta de mortalidade infantil. O curso, que se estenderá até o dia 24, é ministrado por professores da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), integrada ao programa Alfabetização Solidária, através de sua Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários.
As ações fazem parte do programa Universidade Solidária, liderado por Ruth Cardoso, mulher do presidente da República. O Alfabetização Solidária é desenvolvido em parceria entre o governo federal, universidades e entidades comunitárias de vários estados onde o nível educacional é mais elevado, com estados do Nordeste. Os alfabetizadores são professores primários e estudantes de magistério. O grupo atual é o quarto treinado pela Unioeste desde 1997.
Através dos frequentadores dos cursos na universidade, cerca de 1.200 alagoanos já foram alfabetizados. Segundo uma das alfabetizadoras, Maria Rodrigues Leite, 27 anos, de Igreja Nova, a seca, fome e desemprego são ‘‘questões emergenciais’’ no Nordeste, no plano social e econômico, mas elas só serão superadas com a melhoria do nível de educação das populações. ‘‘Isso contribui diretamente para a melhoria da qualidade de vida’’, destaca.
Do grupo que está em Cascavel, 25 pessoas são de Igreja Nova e 12 de Porto Real, pequenos municípios de Alagoas, onde o analfabetismo atinge praticamente a metade da população com faixa etária do ensino de 2º grau. No conjunto da população com mais de 15 anos, 36% (pior índice do País) não sabem ler nem escrever. Entre os que aprenderam, 55% não são capazes de utilizar leitura e escrita em atividades cotidianas, índice só superado pelo Piauí (56%).
O curso na Unioeste é coordenado pela professora Lourdes Kaminski Alves e, além de aulas de alfabetização, fundamentos da educação, língua portuguesa, matemática, história e geografia, os orientadores ensinam os alagoanos a confeccionar material didático. O pró-reitor Mário Athayde Júnior disse que os orientadores irão posteriormente a Alagoas para acompanhar os resultados. O grupo que está sendo treinado deve alfabetizar cerca de 500 pessoas.
Também estão participando do curso seis professores que atuam junto à Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi), entidade que representa cerca de 600 famílias que tiveram terras alagadas pelo lago da Hidrelétrica de Salto Caxias e foram reassentadas pela Copel em municípios da região. A Crabi coordena programa de alfabetização e de educação regular voltada ao campo, valorizando aspectos que estimulem jovens a permanecer no meio rural.

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