James Alberti
De Curitiba
O secretário da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, anunciou ontem a instauração de uma comissão que vai investigar denúncias de irregularidades envolvendo o comando da Polícia Militar. Serão investigados a compra de jaquetas importadas e o relacionamento do estelionatário Joni Rodrigues com o comando da PM. Os integrantes da comissão são pessoas de confiança do secretário, que é amigo do coronel Luiz Fernando de Lara, comandante da Polícia Militar, supostamente envolvido em compra irregular das jaquetas (veja texto nesta página).
Os escolhidos de Cândido Martins foram o diretor geral da secretaria da Segurança, Amaury Ramos, que vai presidir a comissão, o diretor do setor de licitações, Alberto Valle Júnior e o advogado do assessor jurídico Ricardo Franco de Macedo. A investigação acontece ‘‘em regime de urgência’’, mas não tem prazo para acabar. No documento, Martins determina que sejam investigadas ‘‘a atuação de Joni Rodrigues junto a Polícia Militar, bem como a aquisição de componentes de uniformes da corporação.’’
O Ministério Público já investiga a atuação de Joni Rodrigues na venda de carros com documentação falsa para PMs. Os promotores investigam, inclusive, por que o filho do comandante Lara, Luiz Fernando Coutinho de Lara, fazia os seguros dos carros vendidos pelo estelionatário, conforme revelou a Folha na semana passada. As investigações dos promotores são mantidas em sigilo.
O assessor de imprensa do secretário, Valdir Bicudo, disse ontem que a amizade do secretário e do coronel da PM não deve interferir nas investigações da comissão. Segundo Bicudo, os três indicados são pessoas de confiança de Cândido Martins que teriam isenção para apurar as supostas irregularidades. ‘‘O secretário é amigo de todas as pessoas de bem. Nessa hora não é questão de ser amigo. A amizade não estaria acima de uma possível irregularidade do coronel’’, disse.
Na avaliação de um coronel da PM ouvido pela Folha, o secretário ficará em situação embaraçosa. Na opinião dele, a comissão chegará a conclusões que indicariam irregularidades. ‘‘Vi fitas e fotos de como era o envolvimento de A com B e com o Joni’’, afirmou. As irregularidades, afirmou, também teriam ocorrido na compra das jaquetas. ‘‘O secretário não poderá defender um amigo ao ponto de crucificar sua administração’’, afirmou o coronel. Para ele, a comissão seria uma forma do secretário ter em mãos um documento que justificasse uma troca de comando.
Procurado pela Folha, Ricardo de Macedo disse que ainda não tinha sido comunidado oficialmente de sua indicação para a comissão. ‘‘Eu não estou nem sabendo disso’’, afirmou. Conforme informações de assessores, Amaury Ramos, estava viajando.Cândido Martins de Oliveira nomeou homens de seu gabinete para investigar possíveis irregularidades do comando da PM
Arquivo FolhaDe olhoO secretário da Segurança Cândido Martins de Oliveira (direita) nomeou, sem nenhum alarde, a comissão que vai investigar denúncias contra o comandante da PM, coronel Lara

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