Ao instalar-se, em 1956, o município de Lobato tinha 17,1 mil habitantes e o seu primeiro prefeito foi Ildefonso Martins Portelinha. Na sua última fronteira, o Norte do Paraná, o café começou a declinar em 1970 e determinou o êxodo rural de aproximadamente um milhão de pessoas no decorrer da década; dos 290 municípios no Estado, então, 233 tiveram quedas absolutas de população, repetindo-se a desolação paulista no Vale do Paraíba, tema de Monteiro Lobato em ''Cidades Mortas''.
A cidade de Lobato no Norte Novo paranaense tinha tudo para se tornar semelhante àquelas esquecidas no rastro estéril do ''Átila café'', que se retirou após beber toda a seiva e exportá-la em grãos. Com a agravante de situar-se no arenito caiuá, altamente suscetível à erosão, Lobato assistiu à pastagem avançar sobre 65% de sua área agricultável na década de 80.
Da população em 1956, tinham restado 6.216 moradores em 1970 e 3.409 em 1980. Pelo Censo de 2010, ainda é grande o número de municípios paranaense que continua a perder população. Com mais de 4,4 mil habitantes, Lobato não entra na lista e tem a imagem revigorada. É a ''capital da amizade'', onde o Visconde de Sabugosa é o recepcionista, despontando a sua figura nos portais da cidade, onde o nome do escritor também está na praça principal, na creche recém-construída e no centro municipal de educação infantil. Ao folclore incorpora-se a festa do porco no tacho, na primeira semana de agosto. (W.S.)

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