Nome de co-autor de assassinato de empresário é mantido em sigilo
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quinta-feira, 03 de outubro de 2002
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) encaminhou ontem para a Justiça de Rio Branco do Sul, município da Região Metropolitana de Curitiba, o resultado das investigações do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco) que acredita ter descoberto o paradeiro do co-autor da morte do empresário Miguel Siqueira Donha, 51 anos, assassinado no dia 22 de janeiro de 2000. O nome dele está sendo mantido em sigilo. Donha era diretor da Corretora Banestado e presidente do diretório municipal do Partido Popular Socialista (PPS) de Almirante Tamandaré.
Miguel e Iara Donha foram sequestrados por dois homens armados na madrugada de 22 de janeiro. Eles foram obrigados a entrar dentro de um carro e seguir em direção a Itaperuçu, também município da região metropolitana. No caminho, os supostos assaltantes fizeram duas ligações de telefones públicos, conforme apurou a Polícia. Iara foi deixada antes de Miguel, que teve que seguir viagem até o município vizinho. Ao descer, ele levou um tiro na perna e morreu por hemorragia.
No dia 14 de fevereiro, Edson Farias se apresentou como sendo o autor do assassinato de Donha. Ele confessou que foi contratado por Antonio Martins Vidal, o ''Tico'' (na ocasião guardião de uma escola municipal), para dar um susto no empresário. Ele receberia como pagamento R$ 300,00 e um emprego na prefeitura. Tico foi preso, mas as investigações não sustentaram sua prisão. Ele acabou nem sendo indiciado pelo homicídio. O nome dele aparecia no inquérito comandado pelos delegados Fauze Salmen e Vanessa Alice como receptador de produtos roubados. Edson Farias conseguiu fugir da cadeia de Rio Branco do Sul numa viatura policial.
De acordo com o delegado Miguel Stadler, que comandou as investigações do Gerco, o co-autor do assassinato de Donha foi localizado e ouvido. Ele contou a mesma história relatada por Faria e apontou Tico como mandante direto do crime. ''Ele contou tudo espontaneamente. Não foi provocado para falar. Falou o que sabia'', afirmou o delegado.
Algumas fitas cassetes gravadas por Davi Inácio Mendes, que foi assassinado em 2001 supostamente por saber demais sobre a morte de Donha e o crime organizado em Almirante Tamandaré, também atestam o depoimento de Faria.


