Os notívagos são minoria na sociedade. Isso porque nosso relógio biológico reconhece que a noite foi feita mesmo para dormir, explica a neurologista Mônica Marcos de Souza, especialista em distúrbios do sono.
''Com o escurecer, há produção do neuro-hormônio melatonina, um comando químico que faz com que a pessoa deixe o estado de vigília e entre em sono'', diz Mônica. A concentração de outro substrato que induz o sono, a adenosina, aumenta no organismo com o passar do dia e chega a níveis mais altos durante a noite, completa a neurologista.
Ela admite que existem reações individuais que fogem do padrão normal de vigília e sono, como é o caso dos notívagos. ''Tem pessoas que se sentem melhor depois das 16 horas, outras depois das 20 horas'', diz. ''Mas o pior mesmo é quando a pessoa precisa mudar seu sono por motivo de trabalho'', completa.
Segundo a neurologista, o trabalho em turnos complica o ritmo do sono, podendo causar distúrbios, como a privação crônica de sono - a insônia. Normalmente a pessoa precisar compensar o sono. ''Se você dormiu menos do que o normal numa noite, a tendência é aumentar o número de horas dormidas na noite seguinte. Mas nesse caso, há um rebote do sono profundo em até 25% do normal'', constata.
Enquanto as crianças devem dormir de oito a 12 horas diárias, entre o sono da noite e o da tarde, os jovens adultos precisam de seis a oito horas de descanso. ''Já os idosos dormem menos, de quatro a seis horas'', calcula a médica.
Para ela, a pessoa sabe se dormiu bem se estiver apta a realizar todas as atividades a que se propõe durante o dia. ''O notívago consegue dormir apesar da desorganização do relógio biológico. Consegue descansar mesmo com claridade e barulho'', ressalta Mônica.
A falta de sono, relata, pode causar desde mudanças de comportamento até infecções, resfriados, gripes, baixa concentração, desregulação hormonal, apatia e depressão. ''Durante o sono ocorre a liberação de diversos hormônios de defesa. Se a pessoa não dorme, perde a imunidade contra certas doenças'', complementa.
Para ter um descanso tranquilo, a neurologista recomenda algumas medidas de higiene do sono, como evitar atividades físicas, jantares pesados, além de álcool, café e cigarro antes de dormir. ''Se o notívago consegue dormir o número de horas adequado ao seu organismo, ele vive normalmente'', finaliza. (M.G.)

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