A ceia de Natal é um momento de celebrar a família, de abraçar quem se gosta, de dizer te amo, de dar e receber presentes, de sentir e matar saudades... E de trabalhar. Enquanto a maioria se esforça para estar junto da família, milhares estarão trabalhando na passagem do dia 24 para 25 para que os demais possam festejar a data com tranquilidade.
A enfermeira Kelen Mitie de Rocco vai passar mais uma noite natalina longe da família. Como supervisora da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital de Londrina ela já se conformou em ter de abrir mão de muitas datas por causa do ofício. ''É complicado, mas já me acostumei porque é uma coisa que faz parte da profissão que escolhi e não dá para não assistir aos pacientes, mesmo sendo Natal'', afirma.
Ainda bem que a ''família'' que trabalha com Kelen no hospital sempre dá um jeitinho de não deixar a data passar em branco. ''Passamos 12 horas do nosso dia juntos e é bom tanto para nós quanto para os pacientes, que precisam que a gente esteja bem preparado, também emocionalmente, para acolhê-los da melhor forma possível'', comenta. A recompensa, completa a enfermeira, vem no almoço de Natal, quando aí sim pode abraçar o filho Igor, de 16 anos, os pais...
A supervisora de telemarketing de uma empresa de telefonia, Heloísa Bazani de Paula, 38, estará trabalhando para garantir que outros possam desejar um feliz natal, ainda que por telefone, a quem lhes é especial. ''Em casa, a gente tem o costume de se reunir mas acaba tendo que abrir mão disso em algumas ocasiões. Por outro lado, trabalhar mal humorada é pior ainda. Por isso, a gente sempre faz alguma especial e traz uma coisa ou outra para comer'', revela Heloísa. Ela diz que a saudade dos dois filhos e do restante da família só faz aumentar o prazer de estar com eles no dia seguinte.
Depois de 20 anos celebrando a noite de Natal com a família, em Castro (Campos Gerais), o recém-contratado mensageiro de um hotel, José William Mello, vai ter que lidar com a distância porque foi escalado para trabalhar entre os dias 24 e 25. ''A família da minha mãe é bem grande e em Castro a gente sempre fez festa com todo mundo. Esse ano vai ser complicado para mim mas não acho ruim porque vou estar trabalhando'', observa ele, que se mudou para Londrina em busca de emprego e em poucos dias estava com a carteira assinada. Para diminuir a distância, os pais e os irmãos decidiram fazer uma surpresa e estarão todos juntos no almoço de Natal. ''Aí a gente vai poder trocar presentes e matar a saudade'', comemora.

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