Noite de horror deixa oito mortos
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domingo, 04 de outubro de 2009
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A capital acordou ontem com a notícia de um crime bárbaro. Oito pessoas inocentes foram mortas e outras duas ficaram feridas em uma chacina na Vila Icaraí, no bairro do Umbará, por volta das 22h30 de sábado. Entre as vítimas, uma mulher de 29 anos e seu bebê de cinco meses, atingidos por tiros quando saíam de uma igreja evangélica.
As primeiras informações sobre o caso davam conta de que os moradores da região teriam desrespeitado um toque de recolher estabelecido por traficantes. Mas essa versão já está descartada pela polícia, que agora trabalha com a hipótese de um acerto de contas entre gangues inimigas ligadas ao tráfico.
De acordo com o delegado Hamilton da Paz, da Delegacia de Homicídios, a polícia procura seis homens suspeitos de participar da ação, todos envolvidos com o narcotráfico. Divididos em três carros (um Santana, um Fiesta e uma Parati) e armados com uma carabina e pistolas de calibres variados, eles pretendiam se vingar de traficantes rivais. Para isso, atiraram indiscriminadamente em moradores que saíam de bares, da já citada igreja ou simplesmente circulavam pela rua.
Na semana passada, o sobrinho de um dos suspeitos, menor de idade, foi morto na Vila Icaraí, e a chacina de sábado teria sido uma demonstração de força contra os rivais. Nos bastidores, comenta-se que a base do grupo seja a Vila União, também no Umbará, separada da Icaraí por uma linha férrea.
A polícia confirmou a identidade das vítimas como sendo Everaldo dos Santos Silva, 25 anos; Moisés Pereira Silva, 28; Marcos Aurélio Mateus de Lima, 17, Jancarlo da Silva, 25; Jéferson Carvalho da Silva, 25; Nilza Ribeiro dos Santos, 29; Valdir Francisco dos Santos, 19; e Mateus Alves da Siva, de 5 meses.
Os nomes dos dois feridos, já ouvidos informalmente pelos investigadores, ainda não foram divulgados por motivo de segurança. Um deles foi baleado e o outro atropelado durante a confusão. Ambos não correm risco de vida.
Na tarde de ontem, a Secretaria da Segurança Pública do Paraná organizou uma entrevista coletiva para esclarecer os primeiros pontos da investigação. Em vários momentos da conversa, o adjetivo ''atípico'' foi usado pelas autoridades para definir o crime. ''Em 25 anos de trabalho, não me recordo de um fato semelhante ocorrido aqui'', afirmou o delegado geral da Polícia Civil do Paraná, Jorge Azôr Pinto. ''Não só porque todas as vítimas eram inocentes, mas também pelo fato de os disparos terem sido feitos em pontos diferentes da mesma vila'', acrescentou.
Narcodenúncia Antes do término da coletiva, as autoridades conclamaram a comunidade da região a fornecer informações sobre o caso por meio do serviço telefônico Narcodenúncia (181), da Secretaria da Segurança Pública. ''Está mais do que na hora da população perceber a importância desse instrumento, que é seguro e garante o anonimato'', disse Jorge Azôr Pinto.
Segundo dados da Polícia Militar, cerca de 30 mil denúncias foram realizadas em Curitiba via 181 desde o começo deste ano. No entanto, apenas uma delas tem relação com o bairro do Umbará. O que pode indicar que os moradores estejam intimidados com a guerra entre traficantes. A última grande operação realizada na região aconteceu em março, quando foram apreendidas drogas e armas. Desde então, quatro viaturas da PM patrulham o local (onde vivem mais de 60 mil pessoas).
Questionado se a polícia poderia ter evitado a chacina, o delegado Hamilton das Paz foi enfático: ''Quando o caso envolve o narcotráfico, nada é resolvido do dia para a noite''. Desde o momento do crime, uma força-tarefa das polícias Civil e Militar trabalha para prender os bandidos. Cinco delegados comandam oito equipes de policiais da Delegacia de Homicídios, com o apoio da PM e do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope).


