Noel chega de ônibus e anima creches da Cidade
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de dezembro de 1996
Luka Morais 
Foi só o ônibus apontar na curva da rua Foz do Iguaçu, jardim Bancários (zona oeste de Londrina), ontem pela manhã, para começar a gritaria. E com motivo. Afinal de contas não é todo dia que se vê Papai Noel sem as renas, dirigindo um ônibus branco, pintado com motivos natalinos. Papai Noé-el, Papai Noé-el, gritavam as 68 crianças, de quatro a seis anos, da creche Reverendo Jonas que, ansiosas, aguardavam a chegada do carro que iria levá-las até a casa construída às margens do Lago Igapó. Vamos ver a casa dele, anunciava Anderson, que não resistiu e deu um puxão na barba branca usada pelo motorista.
Fiquei feliz de ver o Papai Noel, comentou Maiara, sem ter noção exata do que ainda iria acontecer. Por onde passavam, os ônibus da Viação Garcia, com enormes gorros vermelhos no capô, que levavam também crianças atendidas na Supercreche, chamavam a atenção. A criançada eufórica retribuía com acenos e gritos.
Pensando nas crianças que não têm a oportunidade de viver a fantasia do Papai Noel, a Viação Garcia decidiu oferecer algo mais que o simples transporte. O gerente de recursos humanos da empresa, Gilson Luiz Anizelli, diz que a idéia se concretizou através de parceria com a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e Associação dos Funcionários da Viação Garcia (Afuvigar). Até o dia de Natal, serão transportadas cerca de 2 mil crianças de 30 creches da Cidade.
Dois ônibus e uma chimbica foram pintados de branco e receberam motivos natalinos. Cerca de 15 funcionários estão envolvidos no projeto que prevê a distribuição de balas, doces, refrigentes e presentes. A empresa preferiu não revelar o custo da promoção. Essa não foi nossa preocupação, afirmou Anizelli.
Geralmente fazem as coisas para crianças que têm condições. Essas aqui, na maioria, não teriam uma oportunidade como essa, comentou a coordenadora da creche Reverendo Jonas, Marisa Pasquin, referindo-se ao transporte e ingresso gratuitos até a Casa do Papai Noel. A creche atende 160 crianças, a maior parte filhos de empregadas domésticas que moram na zona norte.
Tia, vai demorar para chegar? Franciele, seis anos, estava ansiosa para entregar a cartinha ao Papai Noel. Ela mesma tratou de montar o envelope com desenho de corações feitos com caneta colorida. Quero um minigame, contou.
Douglas Carvalho Pereira, coordenador de esporte e lazer da Viação Garcia, encarregado da distribuição de balas, pedia ao motorista-Noel que virasse a fita. No percurso, músicas natalinas. Na chegada às margens do lago Igapó, mais surpresas. Olha quanto presente!, dizia Tatiane, ao ver a decoração na entrada da casa do bom velhinho. Fila para entrar e receber das mãos de Noel balas e um carinhoso abraço.
Os olhares atentos não conseguiam apreciar tantos detalhes nos dez ambientes da casa, projetada e decorada por profissionais da Cidade. É tudo bonito, resumia Maiara. Festa na oficina do Papai Noel. Hora de passar pelo túnel e olhar os brinquedos. Letícia, de seis anos, que mora no conjunto Maria Cecília, espera ganhar um par de patins no Natal. Anderson, quatro anos, e Diogo querem um carrinho, Camila um computador e um roller. Assim eles quebram qualquer Papai Noel, comentou o motorista-Noel da Viação Garcia, João Gilberto Carvalho.
Você usa óculos?, indagou Bruno, antes de receber bolachinhas das mãos de Mamãe Noel. Na saída da casa encantada mais surpresas: caixinhas com doces e balas, renas de papel para pintar e montar e refrigerantes, presentes da Viação Garcia. Aqui é tudo bonito, tudo legal, comentou Rodrigo, todo empolgado. Não quero ir embora, dizia a menina Aline, quatro anos, antes de retornar para a creche.


