No vai e vem da feira
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Bruno Maffi<br>Reportagem Local 
Após 29 anos de profissão, a feirante Silene Nunes Fabro fez amigos
Confiança. Essa é a palavra que resume o relacionamento da feirante Silene Nunes Fabro e seus clientes. Alguns se tornaram amigos pessoais e semanalmente há 29 anos tem o hábito de passar pela banca de Silene, para comprar verduras e legumes, ou pelo menos, dar um abraço na amiga.
A rotina de Silene é dura. Acorda às três da manhã, vai no Ceasa comprar cebola, batata e alho, e às quatro e meia já está com a banca montada. O movimento começa às seis e meia e até o fechamento da feira, às 13 horas, ela atende com bom humor e cuida para que os clientes saiam satisfeitos. Essa rotina é diária. Não escapa nenhum dia de folga para que descanso, cada manhã a feirante atende em uma feira livre nas diferentes regiões da cidade.
A feirante comprou a banca para ir pagando por mês. Na época só tinha uma Kombi. Após os primeiros nove anos de trabalho na feira, ela comprou uma chácara, onde produz as verduras e legumes que vende. Quando o cliente é novo, ela faz propaganda, garante que a produção é feita sem agrotóxico e vai explicando para a pessoa os efeitos colaterais do consumo de alimentos produzidos em larga escala. ''Comprando na feira o cliente compra saúde. Nós cuidamos daquilo que vendemos. Por quantas mãos as verduras e legumes passam até chegar nos supermercados? Já pensou nisso?'', questiona a feirante.
Silene explica que até o ano 2000 o movimento na feira era melhor. Com o crescimento no número de grandes mercados na cidade houve uma queda considerável nas vendas, mas ela diz ter percebido que os clientes estão voltando para a feira, porque se dizem insatisfeitos com a qualidade oferecida nos mercados. ''As promoções não enganam mais o consumidor. Eles deixam o preço de um produto baixo e sobe o preço dos outros. Então a pessoa vai comprar a alface porque está barato mas paga mais caro no tomate. Essa é a tática. O povo já acordou'', considera.


