No turfe, o prêmio está no desempenho do cavalo
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de julho de 1998
Alexandre Sanches 
O turfe, modalidade de aposta mais antiga que as loterias, ao contrário dos jogos de números trabalha com a lógica e um pouco da habilidade do jóquei, aliado à sorte. Frequentado por pessoas mais abastadas, principalmente sócio dos quatro Jockeys Clubs oficiais do Brasil - Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre -, o turfe ainda não conquistou agrado popular.
Mas, ao contrário do que se pensa, as apostas no turfe não exigem investimentos altíssimos, como são divulgados em filmes estrangeiros. A aposta mínima para cada páreo é de R$ 1,00, não havendo limite de valores. O criador de cavalos de corrida e membro do Jockey Club do Paraná, Mário Sérgio Silveira Marques, afirma que com R$ 2,00 apostados corretamente o apostador pode ganhar até R$ 250 mil.
Ele explica que na corrida de cavalos existe uma série de prognósticos e análises sobre o desempenho do animal, que ajudam o apostador a fazer a escolha certa. Aí é que está a magia do turfe, em que você pode ganhar muito dinheiro com um cavalo, investindo pouco. O grande problema do turfe é que ele é pouco divulgado, comenta.
Para exemplificar como o turfe ainda engatinha no Brasil, Marquez cita que em Curitiba são apostados US$ 2 milhões por mês e em São Paulo, US$ 12 milhões. Em um único dia nos Estados Unidos o volume de apostas costuma chegar a US$ 50 milhões. Além disso, é um esporte que exige bastante do animal. Para participar de uma corrida, o cavalo deve se enquadrar numa série de requisitos e passar por uma comissão de nove pessoas que analisa com serenidade todas as provas disputadas, assegura.
Marquez salienta que falta uma estratégia de marketing em relação ao esporte e, por consequência, o jogo. O turfe dispõe, no entanto, de canal de TV a cabo exclusivo para os páreos nos quatro Jockeys Clubs oficiais. Ele acredita que as pessoas não frequentam os jockeys por acreditarem que devem pagar ingressos ou serem obrigados a apostar, quando entram no local. Aí é que as pessoas se enganam. O Jockey Club é um clube, mas as pessoas podem ir ao restaurante, frequentar as dependências sem problemas e com segurança.
O estigma de que os Jockeys Clubs são ambientes fechados, de jogos, foi fabricado ao longo dos anos pelo cinema, que retratava apostas altíssimas e como lugar de encontro de jogadores profissionais. Hoje, o cinema os retrata como ponto de encontro da elite. As pessoas podem fazer um passeio e presenciar a beleza plástica das corridas de cavalos sem problemas.


