A hoje auxiliar de ensino da Associação da Criança e do Adolescente de Londrina (Acalon) Escola Oficina, Ana Patrícia de Andrade, 27 anos, passou sete anos de sua vida nas ruas. Ela nunca conheceu o pai e a mãe está desaparecida há mais de sete anos. Com o primeiro marido, que está preso, Ana teve o filho Mateus, hoje com seis anos. O segundo casamento lhe deu outros três filhos Lucas, de 4 anos, Pedro, de 3 anos, e Maria Eduarda, de apenas 10 meses mas foi encerrado tragicamente em seis de janeiro deste ano, quando o marido foi assassinado a tiros. Mesmo assim, ela dá exemplo de perseverança e diz que mantém a felicidade no coração. ''Apesar dos muitos contratempos, sou uma pessoa feliz.''
Quando tinha apenas nove anos de idade, Ana decidiu sair da casa da avó porque, com a inocência de criança, achava que conseguiria reencontrar sua irmã mais nova, que havia sido entregue pela mãe a uma outra família. No centro de Londrina, passou a viver com um grupo de garotos no Bosque e tinha como cobertor o ar quente que saía da tubulação de um edifício. ''Eu não sabia nada e na rua aprendi a roubar e a usar droga. Só não usei injetável'', relembra. Hoje, o único vício que não conseguiu abandonar é o cigarro.
Com 14 anos, foi parar pela primeira vez numa casa abrigo, ''mas sempre tinha recaída''. Pela polícia, teve 52 passagens e chegou a ficar apreendida numa instituição em Curitiba. Em 1993, quando foi aberta a Acalon Escola Oficina, Ana recebeu um convite para participar e dois anos mais tarde estava empregada na entidade que aprendeu a amar. ''Meu trabalho é maravilhoso. Aqui é a minha família, minha casa'', elogia.
Com o que recebe como salário, ela pretende terminar de pagar um imóvel que comprou e garantir um cantinho para os filhos e para a mãe, que ela ainda acredita reencontrar um dia. ''Já tive muita mágoa da minha mãe por não ter participado da minha vida. Hoje, queria reencontrá-la, saber onde ela está e trazê-la para morar comigo.''
''A vida na rua é de muito sofrimento'', diz Ana. A coisa que mais peço hoje é que meus filhos não tenham que passar por isso''. Na opinião dela, só consegue mudar de vida quem realmente quer. ''Não adianta ir para uma clínica e não querer sair das ruas''.

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