Moradores que vivem à margem do Rio das Pedras continuam expostos ao risco da esquistossomose sem a menor noção do perigo. Ontem à tarde, por volta das 16 horas, a dona-de-casa Cristiane Ferreira dos Reis, 24 anos, lavava a louça dentro do córrego. Ela é moradora há um ano da favela Santa Inês, que fica no jardim Ideal, ao lado do jardim Interlagos. ‘‘Aqui a gente usa a água para tudo mesmo: toma banho, bebe, lava louça...’’
Segundo Cristiane, as crianças também estão sempre dentro do rio e várias delas apresentam ‘‘manchas brancas’’ na pele. ‘‘Minha filha de dois anos também teve barriga d‘água e tive de levar a menina no posto. O médico disse que se continuasse bebendo dessa água ia dar mais problema de saúde. Mas a gente não tem opção.’’
A mãe de Cristiane, Luiza Ferreira, também ontem utilizava o córrego para lavar roupa, ao lado de outras moradoras da favela, e reclama que muita gente joga lixo no lugar. Ela confirma ainda que a maioria dos vizinhos tem utilizado a água para as mais diversas finalidades e que, não raro, adultos e crianças apresentam problemas de saúde. ‘‘Tem muita gente com diarréia, inclusive adultos. E as crianças estão sempre brincando, entrando na água. Meu netinho mesmo não sai daqui.’’

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