Marcelo AlmeidaFuturoRegina, com um dos pacientes: ‘‘Estamos preparando-os para a reinserção social, na fase pós-operatória’’
O grupo de transexuais paranaenses recebe acompanhamento médico-psicológico e apoio de um comitê, fundado pela Universidade Tuiuti de Curitiba há pouco mais de um ano. O comitê, que presta serviços gratuitos aos interessados de todo o Estado, é constituído por um corpo profissional multidisciplinar - médicos, assistentes sociais, psicólogos etc. - e trabalha em consonância com a Justiça e Secretaria Estadual de Saúde.
Atualmente, 32 pessoas - 30 do sexo masculino e duas do sexo feminino - participam das reuniões semanais do comitê, submetendo-se à triagem necessária dentro do período de encaminhamento à espera da cirurgia. O comitê é coordenado pela psicóloga e especialista em sexologia Regina Mara Teixeira, professora da Tuiuti.
Segundo ela, quatro transexuais estão inteiramente ‘prontos’ para a cirurgia - ‘‘que faz uma adequação genital necessária à reestruturação da vida deles’’ -, 23 encontram-se na fase final e os outros cinco na fase inicial deste estágio de preparação. ‘‘Nossa expectativa é de que as cirurgias possam começar a ser realizadas em algum hospital de Curitiba já no próximo ano’’, avalia Regina Teixeira.
De acordo com a psicóloga da Tuiuti, cerca de 90 pessoas passaram pela triagem do comitê desde a sua criação. ‘‘Como este serviço é novo e gratuito, muita gente o procura para tentar resolver seus problemas. A maioria que não foi aprovada na triagem era composta por homossexuais e travestis, que são diferentes dos transexuais e não necessitam da cirurgia que muda o sexo.
Regina Teixeira explica que há no Paraná equipes médicas capacitadas para a realização das operações, mas que elas ainda não ocorrem por necessidade de autorização da saúde pública aos hospitais que receberão os pacientes. ‘‘Enquanto isto, os transexuais ricos vão ser operados normalmente em outros países. Sabemos que estas cirurgias ocorrem também no Brasil de forma clandestina, sem o necessário acompanhamento das escolas de medicina, como prevê a regulamentação do Conselho Federal’’, comenta. Ela ressalta que não há estatísticas brasileiras seguras sobre este lado da transexualidade e que a quase totalidade das pessoas atendidas pelo comitê vem das classes sociais mais humildes.
Nas reuniões semanais, os transexuais - tratados como pacientes - recebem atendimento multidisciplinar com base no acompanhamento psicológico. ‘‘Estamos preparando todos eles para a futura reinserção social, que se dará na fase pós-operatória. Além de ajudá-los a superar a atual fase, que infelizmente é de muita discriminação e abandono inclusive familiar’’, afirma a coordenadora do comitê da Tuiuti de Curitiba. (O.C.)

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