No movimento, a esperança das viúvas de militares
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quinta-feira, 17 de maio de 2001
Maranúbia Barbosa De Londrina 
O protesto inédito das mulheres de policiais de Londrina entra na história de Londrina e representa a esperança na vida da dona de casa Arlete Alves Pina Leite, 38 anos, mãe de três filhos menores de idade. Ela vive com uma pensão de R$ 390,00 deixada pelo marido, que morreu aos 50 anos em 1996. Ele teve um ataque cardíaco, conta Arlete, emocionada. O restante da pensão é dividido entre os outros três filhos que o policial teve no primeiro casamento. Cada um deles recebe R$ 65,00.
Do dinheiro, Arlete retira R$ 190,00 para o aluguel e tenta sobreviver com o restante. Dividir duzentos reais para quatro pessoas é uma conta difícil de fazer, mas a gente vai tentando. Ela diz que não trabalha fora porque não tem com quem deixar os filhos.
A rotina de Arlete foi alterada depois do movimento. Ela relata que não está dormindo no local, mas fica durante o dia. Depois que mando as crianças para a escola venho para cá. Esperanças de resultados positivos não faltam. Estammos fortes até agora e não vamos desanimar. Lutamos pelo que é justo e esperamos que nos atendam, afirma.
Outra viúva de PM, Guiomar dos Santos, 56 anos e seis filhos, conta que o marido também faleceu de um ataque fulminante. Ele tinha 34 anos e não resistiu. A tensão que eles enfrentam no trabalho contribui para o aumento das doenças do coração, constata. A presidente da Associação das Esposas de Policiais Militares, Rosilda dos Santos, 47 anos, concorda com Guiomar. Meu marido teve um infarto aos 48 anos e morreu na hora, informa. Conforme Rosilda, em Londrina há cerca de 200 viúvas de PMs em situação precária. A gratificação que reivindicamos vai dar mais dignidade à vida de todas nós, ressalta.
Filha de policial militar, a estudante Josiane Amaral, 15 anos, informa que com o salário de pouco mais de R$ 600,00 do pai, a família passa por privações. O dinheiro só dá para pagar as conta e olhe lá, afirma. A estudante diz que deixa de fazer muita coisa que gostaria porque o pai não tem condições. Roupa nova, cinema e outras diversões são raridade, comenta. Aproveito pouco a juventude. A maior preocupação de Josiane é com a segurança do pai. É um trabalho perigoso e mal remunerado, reitera a garota.


