Dos 46 alqueires do Mirante, a Cohab irá reservar 16, onde a prefeitura cultiva uma horta. Para tomar conta do local, mora a família de Odete Pinheiro, 50 anos, que faz parte da frente de trabalho. Moradora no Mirante há oito anos, Odete acompanhou ontem a reportagem da Folha pelo sítio.

No meio da propriedade ainda existe uma das 130 chácaras que foram vendidas em meados de 1991, num loteamento irregular que favoreceu pessoas influentes da cidade. A chácara, que está cercada dentro do Mirante, tem plantações de hortifruti e uma pequena residência, onde mora um caseiro.

Em 1991, na segunda administração do prefeito Antonio Belinati, quando a Cohab era dirigida por Fuad Bauab, o Mirante foi loteado em chácaras de lazer de luxo, mas a Justiça embargou as vendas e o dinheiro da negociação foi devolvida aos compradores. No local ainda existe parte dos meios-fios que foram construídos na época do loteamento das chácaras.

O diretor-presidente da Cohab, Carlos Eduardo Afonseca e Silva, disse que desconhecia a existência de uma chácara instalada no meio do Mirante do Eldorado e informou que iria até ao local para verificar. Segundo Silva, se a dona da chácara obteve o título de propriedade legalmente, a companhia irá respeitar a decisão da Justiça. Mas a área em volta da chácara será vendida, garantiu o diretor da Cohab.

Ele afirmou que a companhia não tem intenção de esperar a região ficar ainda mais valorizada ''porque o objetivo não é ganhar dinheiro''. Para Silva, com os recursos da venda do Mirante ''é possível comprar outro lote em lugar com infra-estrutura mais barata''. (M.B.)

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