No meio do caminho, uma rotatória
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Chamados pontos de conflito, cruzamentos com grande fluxo de veículos representam um desafio para os especialistas em trânsito. Uma das soluções mais comuns são as rotatórias. A adequação de engenharia é bastante utilizada na cidade. A área urbana, de acordo com levantamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), conta atualmente com cerca de 50.
O objetivo da rotatória é facilitar o fluxo e garantir segurança e fluidez em determinados cruzamentos. A opção é mais indicada que o semáforo, por exemplo, porque não segura o tráfego. É usada também para diminuir o risco de acidentes. No entanto, tem uma grande desvantagem: dificulta bastante a travessia de pedestres.
O professor do Departamento de Construção Civil da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mário Stamm Júnior, explica que a decisão por construir uma rótula leva em conta fatores como o número de faixas de rolamento e o diâmetro. Permite o fluxo contínuo e é uma solução mais barata do que alternativas como trincheiras e viadutos. ''Mas existem pontos que acabam tendo a necessidade de um investimento maior em obras de passagem em desnível'', comenta Stamm, que é doutor em Engenharia de Transportes.
É o caso de cruzamentos como o das avenidas Higienópolis e Juscelino Kubitscheck e Rio Branco e Leste-Oeste. A opção por viadutos e trincheiras, porém, exige outros cuidados, como análise de impacto no trânsito no entorno.
Um projeto elaborado em 1999 para uma trincheira na JK com Higienópolis teve custo estimado de R$ 5 milhões na época. Em outros pontos, no entanto, o valor de uma trincheira deve girar em torno de R$ 1,5 milhões a R$ 2 milhões.
A rotatória, que pode custar cerca de R$ 150 mil, é uma opção bem mais em conta. Pode ser em nível, para facilitar a travessia do pedestre, ou com elevação, como é o caso do entrocamento da JK com a Santos Dumont, que dá acesso ao aeroporto e bairros da Zona Leste.
O local representa um martírio para a travessia de pedestres, devido ao tráfego intenso. Quem passa pela área a pé, critica a situação e sugere melhorias. Para a estagiária Thaís Fernanda Moreira Belo, 16 anos, uma adequação na sinalização horizontal poderia amenizar a situação. ''Com a faixa de pedestres um pouco mais longe da rotatória ficaria melhor já que só alguns motoristas respeitam essa sinalização'', opina. A medida tem apoio do especialista Stamm Júnior, que indica uma distância de 30 metros como ideal.
Quando o fluxo cresce e a rótula não é mais suficiente para disciplinar o tráfego, a solução é instalar um semáforo. Este expediente foi usado recentemente na Rio Branco com Leste-Oeste. Melhor para os pedestres, que têm a oportunidade de atravessar com segurança no tempo do sinaleiro. ''A rotatória é uma boa solução para pontos de conflito. Mas Londrina precisa de uma reestruturação geral no trânsito, principalmente no Centro da cidade'', reivindica o taxista Nilcélio Nantes, 54.
O ideal, alerta Mário Stamm Júnior, é trabalhar com planejamento urbano, visando soluções de longo prazo. ''Defendo as soluções definitivas determinadas desde a concepção do sistema viário'', decreta.


