Se você é do tipo de motorista que fica indignado quando vê uma placa de alerta sobre buracos na pista, não passe nas proximidades da Avenida Ayrton Senna, na Zona Sul de Londrina. Ao invés de encontrarem uma via, os moradores da região avistam uma placa com a mensagem de que a conclusão da obra está embargada pela Justiça. O atraso na entrega já ultrapassa um ano e, enquanto isso, a comunidade vê a rua se transformar em pista de rachas e local para o consumo de drogas.
A placa foi colocada pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) há 20 dias, como uma espécie de justificativa para a não conclusão das obras. Segundo o diretor de trânsito e fiscalização da CMTU, Álvaro Grotti Júnior, a mensagem foi confeccionada a pedido da administração municipal. ''Nem todas as pessoas sabem que a entrega da avenida está atrasada por causa de uma liminar que impede a negociação do terreno'', explicou.
Grotti refere-se a uma decisão do juiz da 4 Vara Cível de Londrina, Mário Azzolini, favorável à comunidade do Jardim Alcântara (Zona Sul). A liminar impede que a Prefeitura ofereça uma praça do bairro em troca da área na Avenida Ayrton Senna. A desapropriação é necessária para a conclusão da avenida, mas já se arrasta há quase um ano. A liminar foi concedida em janeiro. Os atrasos são anteriores: a previsão inicial para entrega da avenida era outubro de 2004. Neste período, chuvas, desapropriação de áreas e até supostos erros no projeto foram apontados como causas para a demora.
Impedidos de transitar pela avenida, os moradores da região reclamam da finalidade à que a via se sujeitou. De acordo com a dona-de-casa Gisele Aguiar, corridas e uso de drogas são comuns na parte da avenida que já foi concluída. ''À noite isso se transforma em pista de racha'', apontou. ''Fora os jovens que vêm aqui para usar drogas. Ainda não tem iluminação e eles se aproveitam disso'', completou. ''A junção com a Avenida Maringá se transformou em uma falsa rotatória. Já vi acidentes por aqui, de tão confuso que o trânsito está'', contou a aposentada Conceição Perazolo.
O tenente Ricardo Eguedis, relações públicas do 5º Batalhão de Polícia Militar, disse não ter conhecimento dos rachas e do consumo de drogas no local, mas garantiu que vai enviar policiamento ao local.
A reportagem da Folha tentou entrar em contato com o secretário municipal de Obras, Aloysio de Freitas, e com um dos engenheiros da administração Municipal, Joaquim Vargha, para saber qual a nova previsão para a entrega das obras. Em nenhum dos casos houve resposta. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, o prefeito Nedson Micheleti já adiantou que não vai indicar outros terrenos para a negociação da área e que deve recorrer da liminar.

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