No Litoral, faltam médicos e remédios
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terça-feira, 04 de novembro de 2008
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba Uma população estimada de 56 mil moradores do Litoral do Paraná está exposta a uma situação preocupante no atendimento público de saúde. Em Matinhos, o Hospital Nossa Senhora dos Navegantes conta apenas com dois médicos e das sete equipes de saúde da família, apenas três estão atuando. Já em Guaratuba uma parte dos médicos deixou de atender pela prefeitura. Empresas deixaram de entregar remédios e suprimentos hospitalares, e pelo menos um laboratório deixou de realizar exames. Tudo por causa de atrasos no pagamento. Matinhos e Guaratuba são a segunda e a terceira maiores cidades do litoral.
No dia 29 de outubro uma equipe da 1ªRegional da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) fez um levantamento em ambos os municípios. Para Paulo Zanicotti, diretor da regional, a situação dos dois municípios preocupa principalmente por conta da proximidade da Operação Verão, que começa dia 19 de dezembro. O diretor avalia que Matinhos apresenta os problemas mais graves. Estamos fazendo um levantamento das dificuldades de lá, adianta.
Uma técnica em enfermagem do Posto de Saúde do Centro de Matinhos, que não quis se identificar, informou à reportagem que a carga horária de todos os profissionais de saúde da cidade foi reduzida de 8 para 6 horas diárias há uma semana. Retiraram também nossa gratificação PSF (Programa Saúde da Família), conta. A informação foi confirmada pela 1ªRegional de Saúde e por funcionários de outros postos de saúde de Matinhos.
Outra dificuldade, relata a enfermeira, é com o transporte de pacientes. Não há mais carros disponíveis para os postos. Quando a situação é grave, o que nos resta é pedir ao Siate, revela. No posto Sertãozinho, o único médico que faz o atendimento a população está afastado por problemas de saúde. Procurado pela reportagem, o secretário da Saúde de Matinhos, Jeferson Azevedo, informou que não estava autorizado a comentar o assunto.
Em Guaratuba os postos de saúde continuam funcionando, mas faltam médicos. Com salários atrasados há quatro meses, alguns profissionais deixaram de atender a prefeitura, como é o caso do ortopedista Francisco Vieira. Pedi demissão há uma semana, conta, dizendo que a situação era insustentável.
Nos próximos dias os odontologistas também devem parar de trabalhar. Estamos sem salário há dois meses, conta a dentista Rosana Arnulf. Dos dois laboratórios que atendem a cidade, um já deixou de realizar exames para a prefeitura e outro estuda medida semelhante. Estou agoniada com a situação de outros profissionais e fornecedores da prefeitura e decidi suspender o atendimento, explica a bioquímica responsável pelo laboratório Lanaclin, Ana Claudia Faita.


