No Jardim Felicidade, só tristeza
Diferente do progresso que a urbanização levou ao Poligonal Turquino Maracanã, o Jardim Felicidade de feliz tem mesmo só o nome. Inacabado, o projeto está parado e, segundo informações da Cohab, só deverá ser retomado depois que os moradores que invadiram algumas casas já prontas (mas que não estão entre os contemplados) saírem do local.
O servente de pedreiro Milton Pereira, 35 anos, é o presidente da associação de moradores e declara-se ''abandonado pelo prefeito''.
Conforme explica Pereira, o projeto inicial contemplava 65 famílias que já ocupavam o local há pelo menos cinco anos antes do início das obras e outras 100 famílias vindas de diferentes áreas. ''Tem família que é proprietária, mas está pagando aluguel em outro bairro porque não pode ocupar a casa, invadida por outras pessoas'', lamenta.
Pereira mora com a esposa Lucinéia, 33, e os filhos Diogo, 17, e Jenifer, 11. Para Lucinéia, trocar o barraco pela casa de alvenaria foi bom. ''Quando chovia tinha medo que o barraco voasse'', lembra. Outra vantagem é não precisar mais buscar água de carriola e tomar banho quente.
Mas ainda falta o asfalto. ''Eles retiraram as pedras, fizeram uma bagunça e agora quando chove é um barro só.'' E também um ponto de ônibus e uma escola mais próxima. ''Meu menino estuda à noite e as ruas são muito escuras. Eu tenho que ir encontrá-lo no meio do caminho para ele não vir sozinho para casa'', relata a dona-de-casa.
A costureira Josiane de Oliveira Carmona, 26, também está no Jardim Felicidade desde a invasão. Hoje, ela divide a casa doada pela Prefeitura com o marido, Robson Ricardo da Silva, 27, e os filhos Eduardo, 10, Joyce, 8, Dionatan, 7, e Nicolas, 3. ''Mudar do barraco para a casa foi ótimo, porque antes a gente tinha que puxar água'', recorda.
Mas, segundo Josiane, falta muito ainda para a vida no bairro ficar boa. ''É duro. Não tem asfalto, escola. Falta ônibus. E os ladrões ainda invadem as casas em costrução, roubam as telhas, quebram tudo. É ruim.''(M.G.)





